Evolução da língua ou preguiça mental?
"Postar", termo que parece já fazer parte do dia a dia de quem frequenta fóruns ou blogs, é um termo que me irrita solenemente.
Nunca tinha percebido porquê, até há uns segundos atrás - e na verdade não foi uma grande descoberta, foi apenas um "clic", pois é pura e simplesmente a sensação que me transmite quando o oiço: atrasadice mental.
Claro que não penso que toda a gente que use o termo é atrasada mental. A utilização generalizada do termo é que me incomoda.
Algo que sempre achei completamente descabido, é a invenção de termos "à tôa" do povo Brasileiro. Se precisam de uma palavra que não conhecem no seu vocabulário, agarram na expressão dos seus vizinhos E.U.A. e regurgitam-na com sotaque brasileiro.
Isto é de uma falta de cérebro que só à chapada e é exactamente o que se passa com o termo "postar", que aparentemente é agora um verbo que significa algo como "colocar uma mensagem online".
Outra mania que me irrita bastante é agora dizer-se apenas "MP3" e não "leitor de MP3". Porra, um MP3 é um tipo de ficheiro digital, cacete; não é um aparelho electrónico!
"Ah e tal, já comprei um MP3."
"Ah foi? Compraste no iTunes?"
... :|
Há quem diga que isto é o evoluir de uma língua. Eu digo que é a banalização e desfiguração da mesma. É optar pelo caminho mais rápido e mais fácil e isso nunca dá bom resultado. É escolher não usar o cérebro para pensar um bocado no que poderia ser uma melhor expressão e aceitar qualquer pedaço de lixo que nos cai do céu.
Mas num país onde se implementa um acordo ortográfico vergonhoso como está a acontecer cá em Portugal, já nada me espanta no que toca à língua.

Algumas cenas tipo o MP3
Algumas cenas tipo o MP3 concordo, mas o termo postar não vejo mal. O que é que se havia de fazer? Utilizar a termo "colocar uma mensagem online" ? Ou inventar nós próprios um novo termo? Tipo quê? Bianstar? Gunjabahr? Para isso usa-se já o termo postar (que não viria do brasileirismo mas sim straight from the english :P . É precisamente o mesmo que o "online" que pelos vistos não tens problemas em utilizar. lol
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Percebo perfeitamente que
Percebo perfeitamente que dá muito mais jeito ter uma palavra pequena para designar a acção, do que ter de juntar várias palavras para dizer o mesmo.
No entanto não deixa de ser algo extremamente pobre em termos linguísticos: é o agarrar numa expressão estrangeira e dizê-la com o nosso sotaque.
Mas na verdade é pior que isso. Uma coisa é dizer "um post", significando "uma mensagem que foi colocada online". Outra coisa é inventar um novo verbo, o "postar", que é derivado de um estrangeirismo.
Que se invente um novo termo, sim, que tenha pelo menos mais valor linguístico do que simplesmente agarrar numa palavra estrangeira e torcê-la até se parecer com um verbo da língua Portuguesa, que é algo que qualquer macaco sem cérebro é capaz de fazer.
Por fim, faz-me sempre lembrar "posta". Parece que se está a falar de peixe. :P
Mas vou acrescentar ainda outra coisa: eu sou um tipo suspeito para falar destas coisas, porque sou apologista de se usarem os termos originais das coisas sempre que possível. Um exemplo disso é que detesto software em Português, porque as traduções me parecem sempre ridículas. Tal como me parece ridículo o facto de os Franceses não usarem "byte" como o resto do mundo usa, e usarem "octet". E repara que esse nome faz muito mais sentido, porque "octet" vem de oito e um byte são oito bits - mas não deixa de me parecer ridículo :P
Brasiliano
E daí? A língua é brasileira e a gente inventa o que nos der na telha. Se não estiver satisfeito problema seu. No Brasil não falamos português mesmo. Viva o idioma brasileiro!
Ó Manuel, você não tem noção
Ó Manuel, você não tem noção de história? Não se lembra que no século XIX Portugal importava tudo que era galicismo da França (e da Inglaterra). Então dá uma olhada no dicionário, leia Eça de Queiroz, leia Júlio Dinís . Essa preucupação com a língua que vocês tem me cheira a nacionalismo, e mesquinho; coisa de país que não pode progredir e começa a recriminar as cultura alheias. Vocês portugueses não gostam de palavras estrangeiras? Então, tirem todas as palavras do árabe , do francês, do castelhano, do inglês... e vamos ver o que é que fica. Com certeza a sua língua vai empobrecer lexicalmente. Toda língua incorpora palavras de outras línguas, e isso se deve, ou a falta de um termo local pra representar determinado conceito novo(tecnologia, fenomeno, hábito cultural), quase sempre estrangeiro, ou a forte influencia da cultura de outros povos. Garanto que a cultura dos EUA não é pouco influente. Se fosse Portugal influenciando com sua língua as línguas de outros povos vocês portugueses não iriam achar nada mal. Ora pois,como dizia Fernando Pessoa, acorda Portugal!!!
Nacionalismo? Como aquele
Nacionalismo? Como aquele patente no comentário mais acima? Não, não é.
Não ataquei de forma alguma o povo brasileiro, constatei apenas um facto - que o povo brasileiro inventa expressões apenas por pegar em palavras estrangeiras e dizê-las com sotaque brasileiro.
Exemplo: "deletar". Que merda é essa? Não sabem o que significa "apagar", "remover", "eliminar", "anular" ou "extinguir", por exemplo? Têm que ir buscar um termo inglês e dizê-lo com sotaque abrasileirado? Atrasadice mental confirmada por 90% dos meus amigos brasileiros, que concordam comigo.
E aqui reside o ponto fulcral: eu não estou a atacar o povo brasileiro; estou a criticar quem faz o que aqui descrevo, sejam eles brasileiros, chineses ou marcianos. Estou a criticar uma acção que considero estúpida e resultante de mentes perguiçosas, seja qual for a sua nacionalidade.
Aparentemente, serve-vos a carapuça e ainda por cima não são capazes de entender que os nacionalistas são vocês ao se sentirem ofendidos por eu usar como exemplo algo que algumas pessoas do vosso povo fazem. É gente como vocês que faz com que os meus amigos brasileiros sejam metidos no mesmo saco de gente analfabeta e inculta e que sejam por muitos considerados um país de terceiro mundo.
toa (ô) s. f. 1. Corda
toa (ô)
s. f.
1. Corda estendida de um navio a outro para o rebocar.
2. Reboque, sirga.
3. Cabo atado a um ponto fixo para a tripulação do barco se alar por ele.
4. Mar. Puxado por sirga.
5. À toa: sem reflexão nem tino; a esmo; ao acaso.
Boa Tarde.
Do que li concordo na utilização vernácula do idioma.
Partindo do ponto que a etimologia da palavra "palavra" deriva de parábola, devemos prestar-lhe o nosso inteiro respeito e, utilizá-la devidamente; nem mais nem menos e nunca como "achamos" que podemos. Porque a partir do momento em que nos perdemos na pura carolice de um individualismo separatista, estamos a usurpar algo que não nos pertence, mas que somos os felizes portadores: o idioma materno.
Além do mais, se alguma vez estivessemos cerrados dentro do nosso próprio umbigo, nunca teriamos ousado. O que penso que se passa tem a ver com a contemporaneidade e a sua imediatez inerente,esta toca-nos no âmago da certeza de que não é fruto do imediato que se vê crescer uma árvore...
O "à toa" está contemplado no dicionário da língua portuguesa, portanto não é uma importação. Se verificarmos o seu sentido (corda estendida de um navio ao outro para o rebocar) antevemos o carácter profundo desta mesma expressão. Sendo a utlização de um idioma o reflexo do pensamento, não é "á toa" que esta mesma expressão existe. O reboque.
Que passe bem.
Boa tarde. O "à tôa", que
Boa tarde.
O "à tôa", que escrevi entre aspas e com acento circunflexo, foi mesmo de propósito, por ser copiado de um outro texto que tencionava mencionar como ligeiro suporte para o meu argumento.
Pelos vistos esqueci-me de o fazer (nunca me apercebi até agora) e infelizmente já não o encontro.