Made in Portugal e Movimento 560

By borfast

Há algo que sempre me fez confusão, que é o querermos sempre comprar coisas estrangeiras. Nunca entendi o porquê, já em puto me fazia confusão ver o pessoal a comprar coisas espanholas e a quererem ir a Espanha nas férias (quem ia para perto da fronteira) aproveitando para trazer o carro cheio de coisas porque eram mais baratas.

Fazia-me confusão porque não entendia como é que "dar" o dinheiro aos "nuestros hermanos" saía mais barato do que "dá-lo" aos nossos compatriotas. A diferença é que para mim era mais que lógico que se o dinheiro ficasse em Portugal, acabaria por voltar para quem o gastou, nem que fosse sob a forma de obras públicas. Aos outros apenas interessava poupar meia dúzia de tostões naquele instante. Não que não compreenda isso, claro que compreendo... mas não basta.

Há tempos descobri acidentalmente o Movimento 560 e mais recentemente tenho começado a receber e-mails de amigos e conhecidos a mencionarem o mesmo, ou com variações da mesma propaganda: comprar produtos nacionais.

Não sou nacionalista ferranho mas penso ser importante o suficiente para fazer menção aqui no meu site visitado por centenas de milhares de pessoas todos os dias, motivo pelo qual deixo aqui um texto que me chegou hoje à caixa de correio pela décima vez, e recomendo que visitem o site do Movimento 560.

Em Lisboa, o MANEL, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China). Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

REFLICTA....

Este mail deve ser enviado às empresas e aos consumidores portugueses.
O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria não sei quantos postos de trabalho.

Ponham o mail a circular.
Pode ser que acorde alguém.

6 comments

By Tiago Santos (not verified)
2 years 27 weeks ago

Movimento 560

O Movimento 560 não é novo. Ouvi falar dele à muito tempo nas notícias. Acho que por um lado se compra mais facilmente produtos pela net vindos do outro lado do mundo. Mas por outro lado devia-se voltar um pouco às origens e a consumir produtos locais porque trazem benefícios a vários níveis: energéticos, económicos, ambientais...

By borfast
2 years 27 weeks ago

Exacto, o Movimento 560 não é

Exacto, o Movimento 560 não é algo novo, também ouvi falar dele já há tempos. No entanto esta nova vaga de e-mails ("forwards") que tenho recebido a fomentar um consumismo mais nacionalista, levaram-me a pensar que referir o Movimento aqui no meu site não seria má ideia. E assim foi :)

By Anónimo (not verified)
2 years 27 weeks ago

Movimento 560 e consumo de produtos nacionais

Boas.

Jovem :) Isto é tudo muito bonito mas não sei se têm a noção por exemplo a quanto é que o quilo de cerejas que chega a lisboa é comprado ao produtor. E estou a falar de compra directa e que depois vem para as mercearias da cidade.

É que quando se começa a ver o que ganham (todos os intermidiários) e que o produtor é um desgraçado que recebe uns trocos começam a pensar se realmente vale a pena consumir produtos portugueses.

É claro que quando se vê que muitos agricultores utilizam os subsidios da EU para tudo menos para fazerem aquilo que devem ainda pior.

Nós temos o problema de ter uma agricultura ainda artesanal, o que torna sempre os produtos mais caros.

Tenho uma pessoa na familia da minha mulher que diz que quase não compensa apanhar as cerejas que produz, porque quase não ganha nada. Conheço também quem produza batata e diga a mesma coisa. Vende o quilo quase de borla e o intermediário ganhar 200 a 300% em cada quilo. Claro que temos de contabilizar o custo do intermidário, mas como o valor marginal vai baixando por cada quilo que o intermediário negoceia ele acaba por conseguir rentabilizar cada quilo cerca de 200 e poucos %. Aliás chega ao ponto de o intermediário comprar ao produtor x quilos e esses x quilos já estão encomendados por um vendedor final ou por outro intermediário ao preço y. Logo o intermidiário que compra ao produtor só tem de tentar baixar o preço o máximo possível.

O problema é que em Portugal raramente se pensa no bem comum. O que interessa é o bem e o ganho pessoal. Se eu fugir aos impostos provavelmente toda a gente pensa "pá também gostava de conseguir fazer o que ele faz" mas são raros os que pensam "aquele gajo é um c***** que anda a enganar todos". Aliás é fácil de ver, quando vão almoçar a algum sitio pedem sempre factura? É que o não pedir factura (que deveria ser dada sem ser necessário pedir) significa que o iva fica no restaurante uma vez que pode ser um almoço que nunca houve.

Enfim, é verdade que há que começar por algum lado, mas com o preço dos produtos estrangeiros mais baixo é complicado.

Lembro-me há uns anos que um familiar meu na dinamarca conseguia comprar um quilo de batatas (que eram importadas da itália) mais barato do que em portugal se comprava um quilo de batatas português...

Abraços

By borfast
2 years 27 weeks ago

É que quando se começa a ver

É que quando se começa a ver o que ganham (todos os intermidiários) e que o produtor é um desgraçado que recebe uns trocos começam a pensar se realmente vale a pena consumir produtos portugueses.

É um facto que a distribuição do que o consumidor paga está muito desequilibrada mas não creio que isso seja motivo para não se apostar em produtos nacionais. Corrija-se esse mal. Se eu mandasse nalguma coisa, impunha que os intermediários não podiam ganhar mais que X% sobre o que o produtor recebia. Mas por outro lado, se eu mandasse nalguma coisa, também ia ser um ditador do cacete... :P

By Pedro Couto e Santos (not verified)
2 years 27 weeks ago

Esse mail que reproduzes é

Esse mail que reproduzes é horrível, desculpa lá. É infantil e extremamente demagógico. Parece que estamos a esmagar a garganta dos pobres produtores portugueses com a nossa opressiva bota estrangeirista (pizza made in Italy, a sério? vá lá... as minhas pizzas são made in Almada...)

Eu compro produtos de que gosto e que tem um preço que me parece aceitável. Ninguém me vai demover de comprar móveis suecos (ikea) e não portugueses (de paços de ferreira), porque eu já comprei muitos móveis na vida e conclui - sem grande esforço - que os móveis da Ikea são mais baratos, fáceis de montar e muitas vezes mais giros do que a alternativa.

A última vez que comprei móveis numa loja de móveis portuguesa gastei tanto dinheiro que acho que podia ter decorado a casa inteira com móveis da Ikea.

By borfast
2 years 27 weeks ago

Percebo o que queres dizer,

Percebo o que queres dizer, Pedro. O e-mail podia estar mais bem pensado mas eu acho que a ideia sujacente é que menosprezamos os produtos portugueses, não que somos uns bastardos que só damos dinheiros aos demónios estrangeiros, deixando os nossos compatriotas a morrer à fome, ou algo do género. :)

Aliás, eu sou das últimas pessoas que devia falar disso, porque a nível profissional, muito (para não dizer quase tudo) do que adquiro - sejam produtos ou serviços - é estrangeiro.

No entanto acredito que podíamos melhorar um pouco a nossa situação se apostássemos mais em alguns produtos nacionais. E aqui há um pequeno pormenor escondido: é que quando digo que devíamos apostar mais em produtos nacionais, não me refiro só aos consumidores a comprarem os ditos produtos; refiro-me também aos próprios produtores apostarem nos seus próprios produtos. O exemplo que dás da Ikea versus os móveis de Paços de Ferreira é perfeito. Os produtores precisam de inovar e manter-se competitivos, em vez de ser só ver os outros a passarem-lhes à frente e depois irem chorar a pedir fundos ao governo. Temos alguns exemplos de pequenas empresas nacionais que souberam mexer-se e por isso prosperaram, como uma empresa de calçado sobre a qual fizeram uma reportagem na RTP há uns meses.

Se os produtores apostarem no "produto nacional", ou seja, se apostarem neles próprios e avançarem no tempo em vez de se manterem estagnados, acredito que os consumidores também o farão.

Ou então estou errado e simplesmente não temos mesmo escala para competir com produtos estrangeiros e isto que estou a dizer é tudo uma carrada de tretas :)