Os criminosos da música...
E pronto, chegou a Portugal. A atrasadice mental tem que vir cá parar sempre, como é óbvio. Onde já se viu, fazer-se uma atrasadice mental num outro lado do mundo e não se fazer cá também? Já é suficientemente mau não termos sido nós os primeiros a cometê-la, não podemos deixar a nossa reputação ir-se ainda mais abaixo por deixá-la para trás.
Desta vez foi com as queixas crime da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP). 28 queixas-crime, contra 28 utilizadores de programas peer-to-peer, desconhecidos, por enquanto. A Polícia Judiciária vai tratar de identificar os ladrões criminosos, os quais serão contactados pela AFP, ser-lhes-á proposto um acordo para resolver a situação sem ir a tribunal e, se tal não funcionar, vão mesmo para tribunal.
"E onde é que está a atrasadice mental aqui?", perguntam provavelmente vocês. Tal como no caso dos processos da RIAA e MPAA (ver "Jail Time For P2P Developers?" e "Torrent indexing sites closing down"), as pessoas que estão a mover os processos judiciais não têm noção do que estão a fazer. Vão punir algumas das pessoas que fazem downloads de música ilegalmente, é um facto. Mas será que essa é a solução? Será que ainda não perceberam que se arranja sempre maneira de lhes dar a volta por cima? Pergunta parva, claro que não perceberam... Já há algum tempo que é possível fazer downloads de músicas e filmes usando software que mantém o anonimato, software como Freenet ou como o Azureus com o plugin da rede I2P.
Depois também entra no jogo o analfabetismo dos meios de comunicação social, onde vemos coisas escritas como:
Este tipo de programas permite que os utilizadores façam "downloads" e troquem vários tipos de ficheiros protegidos por direitos de autor.
(Público)
Claro! Faz todo o sentido! Quem inventou estes programas devia ser morto por electrocussão anal. Que barbaridade! Vou já a correr apagar estes programas do meu computador! E pensando nisso, vou também apagar os meus browsers. E o meu programa de e-mail. E o de FTP. E tudo quanto tiver por cá que permita receber dados pela internet. Afinal, qualquer coisa dessas permite que os utilizadores façam downloads e troquem vários tipos de ficheiros! Mas que raio, vamos é todos ficar proíbidos de usar o computador, porque essa é a única maneira de ter a certeza que não fazemos ilegalidades!
Também se lêem coisas como esta:
Em Portugal as vendas de formatos físicos como os CD desceram 40 por cento nos últimos quatro anos, com a troca de ficheiros na Internet a crescer cada vez mais, especialmente entre os estudantes.
(Público)
Meu deus, que horror, que atrocidade! Coitadinhas das editoras e dos músicos que já não recebem o seu dinheiro para poderem comprar os Ferrari, Porsche e casas na Riviera Francesa! Ou será que recebem?... Tendo em conta que os serviços de venda de músicas online tiveram um crescimento nada menos do que explosivo, precisamente nos últimos 4 anos, se calhar os "coitadinhos" não são assim tão coitadinhos quanto isso e se calhar as vendas de CDs em formato físico não significam que a pirataria tenha aumentado mas sim que as pessoas têm finalmente uma escolha e estão a optar por terem a música apenas nos seus computadores e leitores de MP3, não querendo a caixa de plástico para nada.
Se esta gente da música tivesse um décimo de inteligência, baixavam os preços dos CDs, como já deviam ter feito há alguns anos. Aí sim, teriam impedido alguma pirataria, porque não tenho dúvidas de que grande parte das pessoas que faz downloads ilegais só o faz porque os CDs têm preços abusivos. Por esta altura, em que o download legal de músicas está a começar a tornar-se o meio de compra preferido, eles deviam também mover esforços para que tirassem partido disso. Em vez disto o que é que fazem? Fazem-se de coitadinhos. Choram e berram a plenos pulmões que estão a ser roubados. Processam pessoas que provavelmente os suportam - por exemplo, quem ficou sem um CD por este se riscar ou mesmo ser roubado e depois fez o download das músicas que perdeu, usando um programa peer-to-peer? Será isto um crime? Afinal o trabalho do artista e da editora já foi pago e quem faz o download não vai estar a roubar recursos dessas entidades. Se falássemos de um bem material, que necessitasse de mais recursos por cada cópia vendida, era outra história.
Por exemplo, um carro. Se ficarmos sem um carro por qualquer motivo, não podemos arranjar outro simplesmente duplicando um existente. Outro carro tem mais metal, mais plástico, mais óleo, etc. Tudo coisas que não podem ser reproduzidas "do ar". A música (entre outras coisas) pode. Se eu já tiver comprado um CD mas por qualquer motivo fico sem ele e depois fizer o download das músicas desse CD, não estou a prejudicar de forma alguma o artista ou a editora, porque eu já lhes dei o meu dinheiro. Então se fiquei sem a música que comprei e tenho a possibilidade de a recuperar sem que a editor ou o artista tenha que trabalhar mais, sem que seja necessário gastarem qualquer tipo de recurso... será que não o posso fazer?
Enfim, a única resposta que tenho para isto é a mesma de sempre: o dinheiro. Esta gente só quer é dinheiro. O resto não lhes interessa. E para conseguirem o dinheiro, são capazes de fazer de tudo, inclusivé fazerem-se de coitadinhos quando ainda assim recebem mais dinheiro num mês do que dezenas ou centenas de nós todos juntos nunca iremos receber em dez anos. É a vida...
















"Processam pessoas que
"Processam pessoas que provavelmente os suportam - por exemplo, quem ficou sem um CD por este se riscar ou mesmo ser roubado e depois fez o download das músicas que perdeu, usando um programa peer-to-peer? Será isto um crime?"
Quem escreve, entre outras, uma barbaridade destas, não tem mesmo a mínima ideia do que está a dizer.
"O trabalho do artista e da editora já foi pago e quem faz o download não vai estar a roubar recursos dessas entidades. Se falássemos de um bem material, que necessitasse de mais recursos por cada cópia vendida, era outra história."
Já ouviu falar em propriedade intelectual? Se calhar, já agora, o melhor era abolirmos também os direitos de autor. Que acha? Ou a propriedade só existe quando se trata de "mais metal, mais plástico, mais óleo, etc"???
Espere até ter uma ideia (parece-me difícil, mas enfim) que lhe seja roubada, antes de dar palpites sobre coisas acerca das quais, para variar, NÃO FAZ A MÍNIMA IDEIA.
Comentário anterior = excelente exemplo de... qualquer coisa...
Meu caro amigo, antes de mais, agradeço-lhe por ser um leitor assíduo do meu website. É certamente um leitor assíduo e mais ainda, deve-me conhecer bem, pois só assim pode afirmar com tanta veemência que não faço a mínima ideia das coisas de que falo.
O meu amigo, ao contrário, faz certamente a máxima ideia das coisas de que fala e certamente que é uma figura pública notável que me faria encolher de vergonha a um canto por escrever aqui tamanhas barbaridades, como lhes chama. É por isso que não nos devemos enganar e julgar o seu comentário anónimo como uma falta de coragem mas sim como uma benesse para comigo, por forma a não me humilhar publicamente - tanto quanto um humilde website cheio de barbaridades humilharia o seu dono.
Deixando a ironia de lado, até porque não é o meu forte, quem não faz a mínima ideia do que fala é o caro comentador anónimo. Não vou entrar em argumentações mas peço-lhe que se informe melhor antes de chamar barbaridades ao que os outros dizem. Aqui vai uma ajuda para o seu caminho para o esclarecimento:
http://righttocreate.blogspot.com/
Na coluna da direita do website tem um bloco onde estão sugeridos os 4 textos mais "importantes" do website. Leia-os. Depois leia novamente. Quando achar que já está farto, leia mais uma vez. Depois leia o resto do site e repita o processo.
Se entretanto já tiver mudado de opinião, poderemos então falar novamente. Caso contrário, com argumentações como a que apresentou no seu comentário, prefiro investir o meu tempo em coisas minimamente produtivas.
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