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tabaco

John Cleese Versus Cancersticks: The Final Reckoning

Simplesmente genial. Desmanchei-me a rir.

Tradução (porque a mensagem merece chegar a tantas pessoas quanto possível):

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Leis? Quais leis?

Percebi recentemente que o que eu pensava da nova lei do tabaco afinal está a acontecer - demorou mais do que eu esperava mas infelizmente está a acontecer: Portugal está a ignorar a nova lei do tabaco.

Em discotecas, bares, restaurantes, cafés, etc... já se fuma novamente em todo o lado. Eu já esperava que isto acontecesse porque em Portugal existe uma tradição com dezenas de anos, que consiste puramente em ignorar as leis. Esta não podia ser excepção.

O que é interessante é o eventual motivo para a demora.

Como todos sabemos, a ASAE (site vergonhoso, btw) anda a apertar com tudo e mais alguma coisa, para que se cumpram as legislações disto e daquilo. No entanto, parece que a aplicação da nova lei do tabaco ficou esquecida algures no aether.

As notícias sobre as contra ordenações levantadas pela ASAE são um pouco inconsistentes, dado que numa avançam com um número de processos e noutra já dão outros valores para a mesma altura. Mas parece que lá vão fazendo umas coisitas por aqui e por acoli - ou pelo menos assim o anunciam, para não parecer muito mal.

Mas uma coisa é certa: neste país as leis servem para o mesmo que o papel higiénico.

E ainda outra vez, a nova lei do tabaco

Antes de mais, quero deixar desde já bem claro que não tenho nada, só por si, contra as pessoas que fumam. Aliás, algumas até merecem o meu respeito extra por compreenderem que nem toda a gente gosta de levar com fumo de tabaco, e por isso mesmo deslocam-se para fora do restaurante, para longe de não-fumadores, etc.

Posto isto...

Parece que foi desta.

Entrou hoje em vigor a "nova lei do tabaco", que para além das regulamentações já em vigor desde 1982, vai impor mais restrições aos locais onde é permitido fumar.

No entanto já se levantaram vozes de protesto, como não podia deixar de ser, tamanha injustiça é esta decisão do governo. Afinal qual é a lógica de proibir o fumo de tabaco numa discoteca, por exemplo? Nenhuma, não é verdade? E por isso mesmo é que já há uma petição criada para que a lei seja mudada e permita os donos de locais de diversão, escolherem se o seu estabelecimento vai ser livre de fumo ou não.

É que, como disse o nosso querido ex-ministro da saúde, Luís Filipe da Conceição Pereira, em 2005, "quem vai a estes sítios sabe o que o espera". Mais triste ainda é que essa "justificação" anda na boca do povo, como se fizesse todo o sentido, e de onde se deriva o conselho "quem não gosta não frequenta".

Ora, se eu for a um desses locais já sei o que me espera, ou seja, sei que vai haver fumo de tabaco. Como eu não gosto de fumo de tabaco e não gosto que me forcem a inalá-lo contra a minha vontade, não frequento esse tipo de locais. Porquê? Só fumadores é que se podem divertir?

Mas nem vou por aí. Tudo bem, poderia até admitir que se estabelecesse que estabelecimentos de diversão serão locais onde se fuma e ponto final, quem não gosta não vai e o que eu queria era que fizessem estabelecimentos de diversão discriminantes, onde não se fumasse.

Mas vamos extrapolar isto para algo mais genérico:

Imaginemos que existe um acto que é altamente prejudicial para qualquer pessoa.
O referido acto não é uma necessidade básica para o ser humano.
Adicionalmente, há quem considere que esse acto lhes proporciona algum prazer e por isso praticam-no frequentemente.
Outras pessoas consideram esse acto extremamente incomodativo, para além de prejudicial para a sua saúde.

Colocam-se então duas questões:

Questão 1: como podem coexistir ambos os tipos de pessoas, os que gostam e os que não gostam, sem que nenhum tenha que se privar dos seus direitos - uns de praticar o acto e outros de não serem incomodados ou prejudicados pelo mesmo?

Questão 2: Para situações em que não é possível responder à questão 1, qual dos dois tipos de pessoa deverá abdicar do seu direito?

A resposta à primeira questão é simples: separando os dois tipos de pessoas e isolando-os um do outro. Assim os que gostam de praticar o acto, podem continuar a fazê-lo sem incomodar ou prejudicar os que se sentem incomodados.

Mas a segunda questão complica as coisas e é a base de muitas discussões fervorosas. Se não houver hipótese de isolar os dois tipos de pessoas, um deles tem de sair prejudicado. Das duas uma: ou quem gosta não pratica o acto, ou quem não gosta tem de sofrer o incómodo e prejuízo do mesmo.

Qual destas é a opção correcta?

Tentemos ver a coisa de uma forma geral, sem entrar em pormenores idiotas para tentar puxar a sardinha mais para um lado ou mais para o outro, como é tão típico de se fazer numa discussão acerca de tabaco.
Um dos direitos tem de ser abolido. Como escolher? Qual deles é mais importante? Não se aplica o argumento de ser justo ou não, porque sendo um direito, qualquer que seja a escolha, vai sempre haver alguma injustiça, pelo facto de uns terem de abdicar do seu direito para que os outros mantenham o seu. Então como se toma uma decisão destas? Há que ver a tal importância de cada um dos direitos.

Um deles, o primeiro, é o direito do livre arbítrio, de alguém poder fazer algo apenas porque lhe apetece.

O outro, o segundo, é o direito a alguém não ser incomodado e, mais importante, prejudicado por um acto levado a cabo por outra pessoa.

Abolir o primeiro (solução A) não tem necessariamente repercussões negativas, para além da óbvia de se estar a retirar um direito a alguém. E é importante realçar o "necessariamente", porque pode sempre ser argumentado que alguém se poderia sentir posto à margem da sociedade e toda uma série de outros traumas psicológicos, por lhe ser privado o seu direito a exerver o acto de que tanto gosta.

Já abolir o segundo (solução B) é mais complicado, pois passamos de uma situação em que temos a certeza de que ninguém vai ser prejudicado por algo que não quer, para uma situação em que é possível essas pessoas serem prejudicadas pelo referido acto. Aqui também é de realçar que é apenas possível e não um facto, o alguém ser prejudicado.

Temos então duas possíveis soluções, cuja escolha se pode basear em estatística. Nenhuma delas é necessariamente má, portanto temos que escolher aquela que tem mais probabilidade de ter efeitos negativos.

Parece-me óbvio que, e agora voltando ao tema específico do tabaco, é muito menos provável alguém se tornar um assassino em série por ver os seus direitos privados, do que alguém vir a sofrer de problemas respiratórios devido a inalar fumo de tabaco.

Assim sendo, a solução correcta seria a B.

Acho interessante eu ter tido que escrever tanto para descrever algo que para mim, na minha cabeça, é mais que lógico e nem sequer tem argumentação possível. Não admira que haja tanta gente com ideias malucas em relação ao tabaco... não é tão simples quanto parece... ou se calhar até é e as pessoas é que não são capazes de ver as coisas de forma simples, lógica e racional.

Felizmente o Almada Fórum, que é dos poucos estabelecimentos comerciais de grandes dimensões que de tempos a tempos frequento, já tem lá os avisos há uns bons dias. Claro que têm um bom departamento de marketing, o qual aproveitou a situação da nova lei para fazer um bocadinho de publicidade quase-enganosa: "Respire melhor", dizem eles nos cartazes... como se antes da nova lei eles pensassem "epá, nós até achamos que os não-fumadores têm razão e queríamos poder dar-lhes um ambiente melhor neste nosso espaço mas epá, não dá, e tal...".

Sendo obrigados a cumprir uma lei que não lhes agrada (se agradasse não precisavam que entrasse em vigor uma lei para proibir o fumo de tabaco no estabelecimento e já o tinham feito há mais tempo), conseguiram dar a volta à situação e fazê-los parecer agora os "bons da fita", tentando evitar que as pessoas se apercebessem de que eles afinal eram tão "maus da fita" quanto os outros estabelecimentos todos que também permitem que se fume lá dentro, vá-se lá saber porquê...

E ainda o tabaco...

Fiquei ontem a saber que a "nova" lei do tabaco já sofreu mais alterações e que pequenos cafés e restaurantes vão mesmo ter a liberdade de escolher se querem ser para fumadores ou não-fumadores.

Neste momento não tenho paciência alguma para escrever sobre isto, porque depois de ontem ter tentado estar num restaurante durante 45 minutos e ter tido que me vir embora por causa do fumo de tabaco, a minha única vontade é partir a cara a alguém.

Vou antes fazer minhas as palavras do Pedro neste excelente post do seu site: http://www.macacos.com/?p=1194

A "nova" nova lei do tabaco

Vi hoje uma notícia que me agradou bastante:
http://www.rtp.pt/index.php?article=137641&visual=16

Mais vale tarde que nunca

A nova lei anti-tabaco vai proteger a todo o custo os não fumadores. Contra o fumo passivo a nova lei vai reduzir ainda mais os locais onde se pode fumar livremente.

A lei vai impor a proibição de fumar nos locais de trabalho. Ressalva no entanto a possibilidade das empresas criarem locais específicos para se poder fumar sem afectar os colegas de trabalho.

Mas esses locais tem que ter ventilação separada do resto do edificio

Nos restaurantes, bares e discotecas a regra também muda. Vale agora a proibição total de fumar nestes locais.

A medida segue a tendência europeia já aplicada nos países nórdicos ou na Irlanda. No caso da Irlanda e desde este ano é proibido fumar em bares restaurantes.

Os lares de idosos e locais frequentados por menores de 16 anos ficam também vedados ao fumo.

A nova lei anti fumo do tabaco quer proteger os fumadores passivos mas também quem nunca fumou na vida. Assim avança a proibição da venda de cigarros a menores de 18 anos. Essa proibição aplica-se também às máquinas de venda automática de tabaco.

A forma de controlar o acesso à compra directa nessas máquinas ainda não está decidida, mas pode ser seguido o exemplo de outros países através de um cartão de acesso.

A lei, logo que esteja aprovada, contempla ainda uma revisão em alta das multas aplicadas a quem não a cumprir. Multas que se multiplicam por 50 em relação às que estão em vigor. Quem fumar num local proibido pode ser multado de 50 a 2500 euros.

A nova lei proíbe toda a publicidade ou promoção ao consumo de tabaco com multas até so 30 mil euros para as empresas.

Há mais um dado: as tabaqueiras ficam proibidas de lançar ou patrocinar campanhas de prevenção contra os cigarros. Quem não cumprir pode ter que pagar 30 a 45 mil euros de coima.

A proposta de lei anti-tabaco tem a sua base técnica já completa mas ainda vai ser discutida politicamente no conselho de ministros.

Jorge Correia / Antena 1
2004-11-17 10:40:34

Agora é que vão ser elas, os fumadores, coitadinhos deles, que não têm direitos nenhuns, vão revoltar-se e tomar de assalto a assembleia da república como forma de protesto por esta violação dos seus direitos básicos à violação dos direitos básicos dos outros... ;)

Anti Tabaco

Aqui estão as leis que regulam o uso do tabaco, em vigor no ano de 2005.

Os seguintes documentos foram todos retirados desta página.

Outras páginas de interesse a visitar estão neste site.

Os dois documentos mais relevantes desta página são os seguintes:
LEI DE PREVENÇÃO DO TABAGISMO Lei n.º 22/82 de 17 de Agosto
PREVENÇÃO DO TABAGISMO Decreto-Lei n.º 226/83 de 27 de Maio

Os restantes documentos complementares estão listados abaixo, por ordem cronológica inversa (do mais recente para o mais antigo).

Decreto-Lei n.º 138/2003, de 28 de Junho
Determina o alargamento da proibição de fumar em meios de transporte ferroviário aos transportes ferroviários suburbanos, independentemente da duração da viagem.

Decreto-Lei n.º 25/2003, de 4 de Fevereiro
Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2001/37/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de Junho, relativa à aproximação das disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados membros no que respeita ao fabrico, à apresentação e à venda de produtos do tabaco, e altera o Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio, sobre prevenção do tabagismo.

Decreto-Lei n.º 178/2001, de 9 de Junho

Prorroga até 31 de Dezembro de 2005 o prazo estabelecido no artigo único do Decreto-Lei n.º 203/95, de 3 de Agosto, que permite a publicidade ao tabaco em provas desportivas de automobilismo integradas no campeonato do mundo e da Europa.

Decreto-Lei n.º 283/98, de 17 de Setembro
Altera o Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio, estabelecendo restrições ao uso do tabaco em instalações de acesso ao transporte em metropolitano.

Decreto-Lei n.º 203/95, de 3 de Agosto
Prorroga a vigência do Decreto-Lei n.º 242/91, de 5 de Julho.

Decreto-Lei n.º 276/92, de 12 de Dezembro

Altera a orgânica do Conselho de Prevenção do Tabagismo, criado pelo pelo Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio.

Portaria n.º 821/91, de 12 de Agosto
Estabelece as advertências da nocividade e os teores de nicotina e de alcatrão que devem constar das embalagens dos produtos do tabaco que se destinam a ser comercializados em território nacional.

Decreto-Lei n.º 242/91, de 5 de Julho
Prorroga o prazo de vigência do Decreto-Lei n.º 52/87, de 30 de Janeiro, relativa à publicidade ao tabaco em provas desportivas de automobilismo integradas no Campeonato do Mundo e da Europa.

Decreto-Lei n.º 200/91, de 29 de Maio

Altera o Decreto-Lei n.º 226/83 de 27 de Maio(regulamenta a Lei n.º 22/82 de 27 de Agosto, sobre prevenção do tabagismo e cria o Conselho de Prevenção do Tabagismo).

Decreto-Lei n.º 253/90, de 4 de Agosto
Altera o Decreto-Lei n.º 393/88, de 8 de Novembro, relativo a publicidade negativa e teores de tabaco.

Decreto-Lei n.º 287/89, de 30 de Agosto
Alarga a possibilidade de estabelecer a proibição de fumar nos estabelecimentos similares dos restaurantes. Terceira alteração ao Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio.

Decreto-Lei n.º 393/88, de 8 de Novembro

Altera algumas disposições do Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio (prevenção do tabagismo) e revoga o Decreto-Lei n.º 333/35, de 20 de Maio.

Decreto-Lei n.º 52/87, de 30 de Janeiro
Permite a publicidade ao tabaco em provas desportivas de automobilismo integradas nos Campeonatos do Mundo e da Europa.

Decreto-Lei n.º 444/86, de 31 de Dezembro
Aprova o novo regime fiscal dos tabacos. Revoga os Decretos-Leis n.º 149-A/78, de 19 de Junho, 93/91, de 29 de Abril, 196/83, de 18 de Maio, 34/84 de 24 de Janeiro, 115-A/85, de 18 de Abril, e 172-D/86, de 30 de Junho.

Decreto-Lei n.º 333/85, de 20 de Agosto

Dá nova redacção ao artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio [regulamenta a Lei n.º 22/82, de 17 de Agosto sobre prevenção ao tabagismo e cria o Conselho de Prevenção do Tabagismo (CPT).

Decreto-Lei n.º 226/83, de 27 de Maio
Regulamenta a Lei n.º 22/82, de 17 de Agosto, sobre prevenção do tabagismo e cria o Conselho de Prevenção do Tabagismo (CPT).

Lei n.º 22/82, de 17 de Agosto
Prevenção do tabagismo.

Este país está ao contrário

Noutro dia estava eu na paragem de autocarro, quando começo a sentir o cheiro de fumo de tabaco queimado. Olhei para o lado e lá estava a chaminé de onde emanava esse odor repugnante. Com a maior descontração do mundo, um senhor na casa dos 50, fumava o seu charuto e mandava para cima das restantes pessoas, sem qualquer tipo de problema aparente, o fumo do prego de caixão que segurava entre os dedos.

Pedi-lhe delicadamente que se afastasse ou então que apagasse o charuto, pois o fumo estava a incomodar e prejudicar as outras pessoas que se encontravam na paragem. O meu pedido foi recebido como tantos outros pedidos semelhantes o são na esmagadora maioria das vezes: "Mas quem é que vocês julga que é? Julga que manda nisto tudo, é? Eu tenho o direito de fumar onde quero!"

Inocentemente, como se anos a fio de situações idênticas não me tivessem já ensinado que não vale a pena tentar argumentar com este tipo de pessoas, tentei explicar ao senhor que não se tratava de ter ou não o direito de fumar onde quisesse, até porque se fosse por aí, não tinha razão nenhuma, pois a lei proíbe que se fume em paragens de transportes públicos. Era sim uma questão de civismo e se não se lembrou que o fumo do seu tabaco iria incomodar as outras pessoas, então que acedesse ao pedido que lhe tinha sido feito, pois não lhe custava nada respeitar as outras pessoas que se encontravam ao lado dele.

Novamente as minhas palavras esbarrarm contra um muro enorme, com uma tabuleta onde se lia "estupidez aguda e falta de civismo crónica". A surpresa foi a atitude de algumas das pessoas que se encontravam na paragem, que começaram a dizer que eu "não tinha nada que estar a repreender uma pessoa de idade" e que "esta juventude já não tem respeito pelos mais velhos", entre outras coisas. A conversa acabou ali, pois virei as costas à paragem, onde deixei toda a gente ainda a barafustar, com a maior fé do mundo em como tinham toda a razão e fui a pé para o meu destino.

No dia seguinte estava em casa a estudar quando começo a ouvir um batuque que, contra a minha vontade e agrado, já me é mais do que familiar. Era o inconfundível ritmo da «kisomba», vindo da casa de uma família Africana que vive no prédio em frente ao meu.

Infelizmente esta é uma situação que se repete quase diáriamente. A minha rua sem saída, fora do centro de Almada e encostada à mata do Alfeite da Marinha, outrora pacata e sossegada, com velhotes à janela a ler o jornal e a dizerem "boa tarde" quando eu passava, é agora, após a maioria deles ter morrido, o equivalente a um bairro social em miniatura. O que os donos dos prédios querem é receber o dinheiro da renda, não se preocupam com nada mais. Graças a isso, vêm para cá morar pessoas com hábitos bastante questionáveis.

Farto de situações destas, decidi ir pedir ao meu vizinho que baixasse um pouco o volume da música. Enquanto me dirigia para o prédio do outro lado da rua, relembrava as inúmeras situações em que as famílias africanas e brasileiras que aqui vivem agora me interromperam o estudo a meio da tarde, me interromperam o trabalho a meio da manhã, me interromperam o sono a meio da noite, sempre com música e vozes altas. Relembrava as vezes em que um vizinho ou vizinha, furiosos com o barulho, chamavam a polícia, e que, após serem repreendidos e depois de verem o carro da polícia a virar a esquina ao fundo da rua, os perpetradores voltavam a pôr a música tão alta quanto estava ou mais alta ainda. Tentava fazer com que as lembranças das várias vezes em que chegavam da discoteca às 6:30 da manhã e acordavam a vizinhança toda com a conversa em voz alta (que, para eles, é a voz normal), enquanto outros membros do grupo urinavam contra a parede do meu prédio ou até para o meio da estrada, não me elevassem o nível de irritação ao ponto de não conseguir ser educado no pedido que estava prestes a fazer.

Toquei à campaínha. O volume da música baixou de imediato e oiço uma voz masculina com sotaque Africano perguntar do interior: "quem é?"

O meu vizinho abriu a porta e eu disse: "Boa tarde. Vinha pedir-lhe que baixasse um pouco o volume da sua música, porque eu estou a tentar estudar e com o barulho não sou capaz."

Sendo uma pessoa que até me falava bem na rua (dizia-me bom dia e boa tarde, o que, tendo em conta o quanto estas famílias falam com outras pessoas da rua, era muito bom), não esperava a resposta que levei. Perguntou-me, num tom semi-irritado: "Eu baixo a música mas quero que me explique uma coisa: o seu pai já cá veio noutro dia também pedir para eu não ouvir música, agora vem também você, portanto me diga, afinal quando é que eu posso ouvir música? Eu estou em minha casa, tenho ou não tenho o direito de celebrar? Ainda por cima hoje é meu dia de folga! Porque não posso ouvir música?"

Nesta altura vi logo que a situação não ia ser fácil e tentei explicar calmamente que ele podia ouvir música quando quisesse, desde que não incomodasse os vizinhos. Óbviamente que ele retorquiu que a música não incomodava nada e eu, depois de tentar mais uma vez ter uma conversa racional e civilizada, fiz o que se faz às crianças: disse que sim, tudo bem, tem razão no que quiser mas não ponha a música tão alta porque não pode incomodar os seus vizinhos assim.

Naquele momento ele acedeu ao meu pedido mas cerca de uma hora depois, a música já havia novamente ondas sonoras vindas da casa dele a embater na minha janela com toda a força...

Estes dois tipos de situações (pessoas a fumarem onde não devem e vizinhos com música alta e a falar alto na rua a qualquer hora do dia ou da noite) são coisas com que eu tenho de lidar quase diáriamente, sendo ambas coisas proíbidas por lei. No entanto, quando a polícia é chamada a intervir, o que é que acontece? No primeiro caso, tanto podem rir-se e dizerem que têm mais que fazer do que andar a multar pessoas que estão a fumar como podem dizer que eu é que tenho de resolver a situação. No segundo caso, ou dizem que não podem fazer nada porque as pessoas depois voltam a fazer barulho, ou então dizem que mandam já alguém para o local e depois nunca aparece ninguém.

Se há coisa que me faz confusão à cabeça é porque é que a nossa sociedade considera as pessoas que querem ser normais e saudáveis (não ter de respirar fumo de tabaco, viver num sítio sossegado e sem vizinhos barulhentos, etc, etc), como inadaptados, os "freaks", os anormais. Pedir a alguém que não fume porque nos está a incomodar e prejudicar é quase uma ofensa! Chamar as autoridades para tratar desse assunto então é o cúmulo do ridículo! Porquê?

Isto faz com que se chegue a um ponto em que essas pessoas podem simplesmente rebentar, dar em loucas. Depois, quando rebentam, são presas porque agridem os vizinhos Africanos que todos os dias durante anos a fio puseram a música em altos berros mesmo sendo proíbdo, chamam nomes às pessoas que estão a fumar na paragem de autocarro mesmo sendo contra a lei, etc, etc. Racista, xenófobo, violento e mal-educado... são algumas das coisas que imagino que eu seria chamado se num momento de explosão fizesse uma dessas coisas, derivado da insanidade mental causada por anos e anos a fio de ter que lidar com o prejuízo que o incumprimento de leis me causa, de ter que lidar com o facto de não ter um único sítio onde possa ir sem ter que respirar alcatrão e nicotina em segunda mão, de ter que lidar com o facto de que se pedir para não fumarem ao pé de mim sou considerado "coitadinho", de ter que lidar com o facto de que quando peço educadamente para os meus vizinhos não fazerem barulho eles me respondem mal-educadamente...

Eu não sou racista e não quero proíbir nenhum Africano de ouvir a sua música (ou de qualquer outra etnia - palavra socialmente correcta equivalente a "raça" mas que é usada no seu lugar por forma a não ferir susceptibilidades). Também não quero proíbir ninguém de fumar o seu cigarro. Só quero é que não tenha de ser prejudicado por estas coisas. Mas sou. Constantemente. E sem poder fazer nada quanto a isso.

Apesar de tudo isto, se um dia eu tomar uma atitude menos agradável derivada dessa "insanidade mental", seja chamar nomes ou seja tornar-me violento, quem vai perder a razão, quem vai ser o agressor, quem vai ser o mal-educado, quem vai ser o racista, quem vai ser o xenófobo e quem vai ser preso, sou eu.

Assim sendo, prevendo já o que o futuro me reserva, vou fazer como tantos outros meus compatriotas fazem diáriamente e vou borrifar-me na lei e fazer o que me apetece: declaro desde já que não sou responsável por quaisquer danos, morais ou físicos , que possa infligir a terceiros, por estes estarem a tomar uma atitude que demonstre total e absoluta falta de civismo e respeito para com as outras pessoas, como por exemplo, recusar-se a apagar um cigarro ou recusar-se a baixar o volume da música que está a ouvir, quando qualquer uma destas coisas estiver claramente a prejudicar as pessoas ao seu redor.

Faz sentido não faz? E de alguma forma devo conseguir safar-me com isto. Afinal estamos em Portugal, o país da chico-espertice e do desenrasca (ciência essa de que tanto nos orgulhamos), portanto não deve ser de todo impossível...

Este país está mesmo ao contrário...

A "nova" Lei do Tabaco, Parte II - O regresso dos que não foram...

Foi aprovada hoje a "nova" (já explico o porquê das aspas mais abaixo) lei do tabaco, passando assim a ser mais uma prova de que o ridículo deste país parece não ter limites (ao contrário da inteligência dos nossos governantes) e por isso agora vamos passar a ter "restaurantes para fumadores"...

O que é isso? É simples: um restaurante que não tenha condições para ter uma zona de não fumadores completamente separada da zona de fumadores, vai poder fazer um requerimento à autarquia da sua câmara para que seja considerado um "restaurante para fumadores". Ou seja, quem está mal, que se mude. E aqui o "quem está mal" não é "quem está a fazer mal", como em "prejudicar os outros" mas sim "quem se sentir incomodado". Trocando por miúdos: aqueles que não prejudicam ninguém, têm que aceitar serem prejudicados. Isto é, os não-fumadores vão ter que continuar a levar com o fumo de tabaco dos fumadores, se quiserem continuar a frequentar alguns restaurantes.

É um novo mundo, meus amigos. E cheio de liberdades! Por exemplo, a partir de agora o dono de um restaurante pode dizer o seguinte a um cliente: "Ah você é asmático ou alérgico ao fumo do tabaco? Então azar o seu, a lei permite que eu o descrimine e como isso me traz mais lucro, eu vou fazê-lo!"

Que bonito...

O Sr. Luís Filipe Pereira, o actual Ministro da Saúde, diz que os restaurantes são de uso generalizado da população, mas quem sai à noite e vai para bares e discotecas «sabe bem para onde vai».

OK, então porque é que existem leis para proteger as crianças em parques infantis? Aquilo é perigoso, os pais que deixam os filhos ir para lá "sabem bem para onde os seus filhos vão". Porque é que é proíbido nadar em certas praias que se sabem ser perigosas? Quem vai para lá "sabe bem para onde vai". Chegando mesmo ao extremo: porque é que o suícidio é proíbido em Portugal? Quem se mata... bom, não saberá para onde vai mas sabe o que está a fazer.

Resumindo: porque é que se protegem as pessoas de umas coisas e de outras não? A minha resposta a esta pergunta é tão simples quanto as palavras "dinheiro" e "votos".

Em primeiro lugar, neste país retrógrado muitas pessoas certamente não vão gostar que lhes tirem a liberdade de fumarem onde querem e bem lhes apetece e vão sentir-se lesados, ofendidos, etc., com tal atrevimento. Logo não irão votar em quem lhes tira essa liberdade.

Segundo, os nossos governantes fazem "leis" (também entre aspas, porque algo tão ridículo certamente não será cumprido) anti-tabaco baseadas nos conselhos das empresas tabaqueiras. Isto faz sentido? Dá-vos algumas pistas para o que realmente se estará a passar? Será que ouvi alguém dizer "dinheiro por baixo da mesa"?...

Eu digo que a lei é "nova" (entre aspas) porque já existe uma lei que regulamenta a utilização do tabaco desde 1982. Vejam lá tão bem que é cumprida que nem vocês sabiam que ela existia, não é verdade? Quem quiser ler os antigos decretos-lei e companhias pode ir a http://borfast.com/anti-tabaco/

E já agora, quem quiser ler a minha outra divagação sobre esta estupidez nacional pode ir a http://borfast.com/node/18

É fantástico, temos uma "nova" lei do tabaco que provavelmente vai ser tão cumprida como a anterior, a qual a maioria das pessoas nem sabia que existia. Isto faz-me lembrar aqueles grandes clássicos do cinema de há algus anos, como o "Iceberg em chamas" ou "O regresso dos que não foram", dos quais o segundo título se adequaria na perfeição a esta história das novas e antigas leis...

Fico-me por aqui, porque o tempo que estou a gastar para escrever isto é tempo que não tenho.

Termino com este pensamento: Vou começar a urinar para cima das pessoas, quando for a algum sítio público. Que eu saiba não há nenhuma lei contra isso e se o conseguir fazer durante tempo suficiente para que se torne um hábito socialmente aceite, tal como o fumar "para cima" de outras pessoas se tornou, pode ser que façam uma lei à minha conta, que diga que urinar para cima de terceiros é permitido, desde que o estabelecimento tenha uma zona dedicada para o efeito. Se o estabelecimento não tiver condições para ter a referida zona, passa a ser um "estabelecimento para urinadores". E aí já não haverá desculpa, quem não gostar que lhe urinem para cima, não vá a esses sítios, pois «sabe bem para onde vai»...

A "nova" lei do tabaco...

Tive hoje a confirmação do que eu disse desde que comecei a ouvir falar da nova lei do tabaco: o nosso governo é nada mais que uma cambada de gajos sem coragem, sem cérebro, sem qualquer tipo de moral ou ideais, a quem apenas interessa o dinheiro que metem no bolso; a nova lei do tabaco vai ser aprovada mas a proibição de fumar em restaurantes, bares e discotecas vai ser deixada ao critério dos donos dos estabelecimentos...

Apesar de ser de louvar qualquer atitude anti-tabaco, proíbi-lo na totalidade só traria benefícios para todos. Para os fumadores, não fumadores e até para o governo, dado que certamente iria passar a gastar menos no que toca a saúde e casos de cancro de pulmão. No entanto o que é que se faz?

Esta declaração de Luís Filipe Pereira surge na sequência da notícia ontem divulgada pelo DN onde se dava conta de que o Governo preparava uma nova versão da lei antitabaco, mais suave e com sugestões das tabaqueiras.[...]
«Vamos ser intransigentes nos locais em que as pessoas não escolhem ir», afirmou, referindo-se às escolas, instituições de saúde e locais de trabalho. Já nos espaços onde «as pessoas sabem o que as espera», a proibição de fumar não deve ser imposta.

Com sugestões das tabaqueiras?!?!?!? Tenho uma coisa a dizer a este senhor: Oh meu granda filha da p%&#, isso é o mesmo que dizeres que eu, só porque não fumo nem quero fumar, não posso ir a esses sítios, porque tu quiseste receber uns dinheirinhos por fora do teu ordenado!! Agora sou privado de ir a certos sítios por causa dos fumadores, é isso? Eu sei que já o era, porque os fumadores raramente respeitam os não-fumadores mas agora têm a lei a apoiá-los... Que bela diarreia mental, esta... se isto não tem aqui uns dinheiros metidos ao bolso, não tem nada!!

Onde raio estão os meus direitos de poder usufruir de espaços públicos sem que os outros atentem à minha saúde ou integridade física? Ainda hei-de procurar bem na lei isto, a ver se não há aqui uma incompatibilidade qualquer!

Como disse um amigo meu:

Os custos da saúde a longo prazo são bem superiores aos de agora mas os governos só são de 4 em 4 anos e, na melhor das hipóteses, aguentam-se 8 anos, por isso que se lixe... a população que se lixe, pois queremos é ser eleitos, ter o orçamento e pronto.

Opiniões como a seguinte não lhes interessam:

Faz cerca de 5 meses que o Mayor de Nova Iorque aprovou uma nova lei que proíbe fumar em bares, restaurantes ou discotecas.

Confesso que inicialmente me mostrei indiferente a esta lei. Não fumador, habituei-me a ser fumador crónico passivo. Raramente me queixava, raramente comentava o fumo de uma sala. Cinco meses depois a diferença é notória. Acabou-se a roupa malcheirosa do dia seguinte, o ambiente nos bares é excelente, sinto um gozo acrescido em sair à noite.

Neste momento sou totalmente a favor da lei, e tal como todos os não fumadores que conheço, sinto que a realidade de uma vida nocturna sem o cheiro do tabaco é surpreendentemente agradável. Tornei-me assim num "fascista do tabaco", e para ser honesto não me envergonho.

Não há opiniões nem factos que façam mudar a posição desta gente. Eles querem é ter os votos e o dinheiro. Nada mais interessa.

Mas sabem que mais? Acho que mesmo que o governo tivesse tido a coragem e rectidão para banir o tabaco de tudo quanto é sítio público (incluíndo discotecas, restaurantes e bares), ia dar exactamente ao mesmo. Sabem porquê? Porque o nosso povo retrógrado é assim há mais de 20 anos no que toca a esta matéria (e na verdade em quase tudo mas vou guardar esse tema para outra altura) . Temos uma lei que proíbe fumar numa série de sítios já desde 1982 e no entanto o que é que se vê? Toda a gente fuma em todo o lado!

A minha faculdade, por exemplo, é simplesmente uma vergonha (em muitas coisas mas falando agora do tabaco...). Há já dois anos que o Professor Jorge Lampreia (presidente do Conselho Pedagógico da FCT) prometeu que se iria passar a cumprir a lei na FCT... errr... oops... desculpem, que iria passar a ser proíbido fumar dentro da FCT e que iriam ser afixados sinais de "proíbido fumar" na cantina e outros locais em que os FCTenses gostam tanto de fumar sem respeitar os outros. Há lá alguma coisa? Nada, zero, nicles, niente... Os únicos sinais que há são folhas A4 com o típico símbolo de "proíbido fumar", impressas pela Associação de Estudantes da FCT, que foram coladas nas paredes da cantina muito depois de toda a gente ter visto que a Direcção da FCT não iria fazer nada.

Se numa instituição com a fama e nome que a FCT gosta de dizer que tem (e infelizmente tem, não por merecer mas por ter um bom departamento de marketing), como é que podemos esperar que o resto do país o faça?

Num país em que a atrasadice mental é tão grande que alguém que deite um cigarro para o chão fica muito ofendido se alguém lhe pede para não o fazer, como é que se pode esperar outra coisa do governo que não esta?

Fumem, fumem à vontade, chaminés. Daqui a uns anos veremos quem ri por último...

Situação caricata com um fumador orgulhoso

Aqui fica um desabafo que escrevi quando cheguei a casa depois de uma situação caricata na rua.

Os fumadores cada vez me surpreendem mais...

Hoje de manhã, vinha eu para casa de bicicleta, quando passei por um senhor já de alguma idade, parado dentro do seu carro, deitou pela janela a beata do cigarro que tinha acabado de fumar.
Como eu conheço o senhor, aproximei-me e disse, num tom meio a brincar (pois não queria ser ofensivo)

"O senhor também faz isso em sua casa?"

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