Pepsi, Cristiano Ronaldo e os Portugueses - parte 2

Tem havido por aí alguma gente a dizer que o que escrevi ontem sobre a palhaçada da página anti-pepsi foi um exagero, que fui mal educado sem razão, que acabei por descer ao mesmo nível dos que critico, e acima de tudo parece que toda a gente se está a focar no futebol.

Pois eu tenho a dizer que todos estão a perder o ponto “maior” disto.

Eu não disse que o problema é o futebol ou a alienação do povo por causa do mesmo. O problema é a apatia do povo e o darem a importância que dão a merdas - sim, merdas; o vernáculo aqui encaixa na perfeição - que não têm importância nenhuma.

Quantas assinaturas tem a ILC contra o acordo ortográfico e quantos anos - sim, anos - demoraram a lá chegar? Mas em 21h têm 50 mil assinaturas numa página que é de uma pequenez mental que eu nem consigo descrever? Desculpem mas a estupidez patente nisto é demasiado grande. Já agora, dou pontos extra a quem souber sequer o que é uma ILC.

Há tempos houve uma petição levada a cabo pela DECO, para se tentar acabar com as taxas injustas e imorais que os bancos cobram simplesmente por termos uma conta aberta com eles. Uma coisa destas, que podia ter um impacto significativo na vida de tanta gente, sabem quantas assinaturas teve? 81185, mas precisaram de mais de um mês para lá chegar. Mais de um mês! Se isto não era coisa para ter 100 mil assinaturas em menos de três dias, não sei o que será.

Hoje soube-se que o governo vai arcar com uma dívida de 17 milhões de Euros, que era do Luís Filipe Vieira ao BPN. Onde está a página a pedir que isto seja rejeitado? Se existisse, iria ganhar 50 mil likes em 24 horas? 20 mil likes numa semana? Se chegasse aos 5 mil num mês já seria muito.

Espero que isto chegue para perceberem que o problema não tem nada que ver com o futebol. O futebol é apenas a coisa que o nosso povinho escolheu para a sua alienação mas podia ser outra qualquer. Por isso parem de falar no futebol e aceitem que o problema é a matéria prima que somos enquanto povo.

O facto é que somos uns merdas - sim, novamente o vernáculo - porque não damos valor absolutamente NENHUM ao que é nosso, nem sequer conhecemos o nosso país mas queremos é os vôos baratos da Easyjet e Ryanair para ir “conhecer” cidades de outros países em dois ou três dias (o rídiculo disto é tão grande que daria para tema independente de conversa, mas fica para outro dia), queremos é o Big Brother para ver as “vacas” a tomarem banho quase nuas e ver se há molho na cama às escondidas, queremos é futebol, imperial e tremoços.

E sim, estou chateado. Estou chateado porque estou farto de ver o meu país a ser mandado ao chão porque NÓS deixamos, porque somos uma cambada de preguiçosos que quer ter o mínimo trabalho possível, para quem as greves são mais uma desculpa para ficar em casa sem ir trabalhar do que uma oportunidade de lutar pelos seus direitos e por um país melhor para si e para os seus, para quem o “orgulho nacional” é um puto que tem a sorte de saber dar uns toques numa bola e por isso ganha mais do que 100 de nós juntos ganharemos numa vida inteira, e ao mesmo tempo ignoramos gente de verdadeiro valor, que faz algo de realmente útil pelo país, gente que ganha prémios internacionais pela sua pesquisa e pelos seus produtos, gente que faz uma diferença para melhor na vida de muitas outras pessoas - mas esses não têm direito a 30 minutos exclusivos todas as noites no noticiário e muito menos têm direito a vários canais de televisão.

Isto, meus caros, só tem um nome: estupidez aguda.

Tal como no artigo, peço desculpa por enfiar toda a gente no mesmo saco mas já não tenho paciência nem energia para ser bem educado.