Situação caricata com um fumador orgulhoso

Aqui fica um desabafo que escrevi quando cheguei a casa depois de uma situação caricata na rua.

Os fumadores cada vez me surpreendem mais…

Hoje de manhã estava a vir para casa de bicicleta quando passei por um senhor já de alguma idade, parado dentro do seu carro. Deitou pela janela a beata do cigarro que tinha acabado de fumar. Como conheço o senhor, aproximei-me e disse, num tom meio a brincar (pois não queria ser ofensivo):

“O senhor também faz isso em sua casa?”

Ao que o senhor me respondeu mandando-me para alguns sítios “engraçados” e chamando-me outros tantos nomes “bonitos”. Sendo uma pessoa que eu conheço, não estava à espera de uma resposta destas, ainda para mais tendo-me eu aproximado com um sorriso nos lábios, apesar de ser para dar um “raspanete”.

Aproximei-me do carro e falei novamente, desta vez já com um tom sério:

“Eu só perguntei se o senhor também deita beatas para o chão em sua casa, é assim tão difícil de admitir que não?”

Desta vez fui ameaçado:

“Vai-te f*#%$! Levas uma trancada com o carro que deixo-te já aí estendido no chão!”

Ainda com alguma calma, apanhei a beata do senhor do chão, pendurei-a dentro do seu carro através da janela e perguntei:

“Se eu agora deixasse a beata cair para dentro do seu carro, o senhor ia gostar? Não ia! Portanto porque é que deitou a beata para o chão que é tanto meu como seu?”

O senhor agarrou na beata com toda a fúria mas eu não a larguei, o que pareceu deixá-lo ainda mais irritado. Conseguiu rasgar-lhe um bocado, atirou-o para o chão do carro e disse:

“Pronto, ó filho duma granda puta, já estás mais satisfeito? Agora vai para o ca$#&!* e deixa-me da mão antes que te passe com o carro por cima!”

Como não estava para arranjar problemas por causa da estupidez do homem, atirei a beata para um caixote do lixo e disse-lhe:

“Não a vou deixar cair dentro do seu carro porque tenho mais respeito por si do que você tem por mim, por si próprio ou pelas outras pessoas. Mas garanto-lhe que da próxima vez que o vir a fazer isto não hesito em atirá-la aí para dentro, ainda acesa, se for preciso!”

E comecei a pedalar para me ir embora. Nisto oiço o carro a acelerar e quando me viro, se não me tivesse desviado, quase atirando-me para cima de outro carro que estava estacionado ao meu lado, o senhor tinha de facto passado por cima de mim!

Nisto, um casal mais jovem que estava a entrar para o seu carro, começou também a falar para mim. Como não percebi, aproximei-me, pensando que sendo jovens tinham mais cabeça para compreender a situação. No entanto, a primeira coisa que ouvi da senhora foi:

“Não deves ter mais nada que fazer senão andar aí a chatear os outros!”

O comentário dele também não se fez esperar:

“Com um corpanzil desses a andar por aí de bicicleta vê-se mesmo que não tens mais nada que fazer, pareces um coirão, aí, feito estúpido a chatear os outros!”

Eu que já não estava com paciência para a situação, só respondi:

“Eu só não gosto de ver as pessoas a serem porcas, ainda para mais quando estão a sujar não só o que é delas mas também dos outros.”

A resposta dele foi:

“Deves ter a mania que és o salvador da pátria.”

E a dela:

“Então também andas aí a dizer aos teus amigos que fumam para não atirarem as beatas para o chão, não? E às pessoas que cospem também dizes alguma coisa, não?”

Incrédulo, respondi:

“Quanto a ser o salvador da pátria, é por toda a gente pensar como vocês - não vai ser por uma pessoa deixar de fazer mal que as coisas ficam melhores - que isto está como está. Todos acham que não vale a pena fazer nada, portanto NINGUÉM faz mesmo nada! Em relação a dizer isto aos meus amigos, tanto que digo que já me chateei com uma pessoa por causa de uma situação destas.”

Ele aproximou-se de mim e voltou à história de eu parecer um coirão, que não tinha nada que fazer por estar ali a andar de bicicleta e que devia era estar a trabalhar. Ainda estive para lhe explicar que eu apenas tenho 21 anos, sou estudante e que também trabalho mas como a paciência já se tinha esgotado, limitei-me a rir e fiquei calado. Quando ele acabou de falar disse:

“Já acabou? Então um Feliz Natal e um Bom Ano para vocês.”

Virei costas e fui-me embora.

Acho engraçado que este tipo de pessoas, quando confrontadas com argumentos que não conseguem refutar, parece que entram em curto-circuito e voltam a usar argumentos que já tinham usado e os quais já tinham sido contra-argumentados. Parece que são robots que quando se vêm numa situação destas, fazem «fzzz», abanam a cabeça e “voltam atrás no tempo”, como se os meus argumentos nunca sequer tivessem sido pronunciados.

No final de contas, quem procedeu mal foi o senhor mas quem ficou mal visto fui eu. É por estas e por outras que Portugal me mete cada vez mais nojo. :(

E é também por isso que a partir de hoje vou chamar a atenção para toda a gente que vir a fazer coisas destas. Vou ser odiado por muita gente e talvez até amigos meus se chateiem comigo mas sinceramente não quero saber. Estou farto de me ver rodeado por gente idiota, estúpida, retrógrada e que parece ter orgulho de o ser.

Não quero dizer que considere toda a gente estúpida mas o sujar o chão desta maneira quase considerada “natural” considero uma estupidez. Por isso digo desde já que lamento se alguém se sentir ofendido por este texto, pois não é essa a intenção. Não estou a chamar estúpido a ninguém. Ser estúpido é diferente de ter uma atitude estúpida.

Conheço gente que fuma e que quando chamados à atenção para isto, dizem “tens razão, desculpa, vou ver se perco este hábito”. Porque é que não podem ser todos assim? Acho que é acima de tudo uma questão de cultura e orgulho - como sempre foram habituados assim e são orgulhosos demais para admitir que estão errados, quando confrontados com uma pessoa que refuta todos os seus argumentos idiotas partem para a violência (geralmente verbal mas por vezes, como pude ver hoje, também física), pois é o único meio que lhes resta para defenderem a sua adorada mentalidade. Gostava de um dia ser capaz de compreender o que é que este tipo de cultura tem que seja motivo de orgulho! E quanto a isto poderia falar de muitas outras coisas da cultura Portuguesa…

Peço a toda a gente que fuma: respeitem as outras pessoas. Já nem falo daqueles que fumam em locais públicos fechados, o que também é muito grave mas pelo menos não sujem aquilo que é de todos. Por exemplo, a cantina da minha faculdade de manhã é um sítio agradável para se estar mas ao fim da tarde mete nojo porque só se caminha por cima de cinza! Isto num local onde há cinzeiros e, pior, onde se come! É inadmissível.

Uma última coisa: prevendo já as respostas que poderia levar do estilo “Até parece que és perfeito para estares com essa conversa toda” ou “Até parece que nunca deitaste nada para o chão”, etc, etc, só tenho uma coisa a dizer:

Que estupidez de argumento…

Nunca ouviram o ditado “Faz o que eu digo, não faças o que eu faço”? Reparem que eu nunca disse que era perfeito e que nunca tinha atirado nada para o chão, etc. Faço é algo que muita gente não faz: tento.

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