Há dias tive uma reunião de trabalho em que, durante uma discussão acerca de que texto utilizar para um link de um site, um dos intervenientes queria que em vez de “Alunos”, se escrevesse “Alunos&Alunas”, querendo igualmente aplicar a mesma lógica ao resto do site, por forma a evitar o sexismo na linguagem utilizada.
Posteriormente enviei um e-mail a todos os presentes na reunião, o qual começava com “Boa noite a tod@s”, com intenção de não privilegiar um sexo em deterimento do outro, mais como brincadeira do que outra coisa. É que não liguei muito a esta sugestão (e os restantes presentes também não), pois considero que este tipo de coisas são insuficiências do ego cultural do nosso país, que precisa à viva força de ver abolidas todas e quaisquer formas de descriminação (talvez resquícios de anos vividos à sombra de uma ditadura).
Passou-se do 8 para o 80 e já não se consegue distinguir descriminação sexual de uma selecção linguista. É que a língua Portuguesa não é como a língua inglesa, pois não tem sujeito assexuado na sua língua. Nós temos de escolher: ou dizemos “alunos” ou dizemos “alunas”, ao nos referirmos ao conjunto de pessoas que frequentam um estabelecimento de ensino; não faria sentido utilizar sempre ambos os sexos e por isso optou-se por um deles.
Mas se o machismo de épocas passadas teve algum peso na opção tomada, penso que hoje em dia ela se mantém por uma mera questão de hábito linguístico e não sexista. Aliás, ou muito me engano ou já há uns 5 ou 6 anos atrás que houve uma rectificação ao acordo ortográfico (ou lá como se chama a essa coisa que define o que é e o que não é Português correcto) em que se estabeleceu que era igualmente válido utilizar tanto o sexo masculino como o feminino, para nos referirmos a um conjunto de sujeitos.
Assim sendo, dizer “alunos” ou “alunas” seria exactamente a mesma coisa.
Mas as pessoas não o dizem.
E sinceramente não sei se alguma vez o farão, pois é um hábito linguístico muito enraizado e não há razões suficientemente fortes para o mudar - a não ser que algum grupo extremista anti-sexismo consiga gerar uma revolução linguística que traga tal mudança de mentalidade. Mas até ver, não acredito. Nem com o tabaco se consegue acabar, que esse sim, tem efeitos extremamente negativos que são conhecidos por todos; como se pode esperar conseguir acabar com uma coisa tão mais pequena e que não tem consequências negativas?
Nem tão pouco me preocupo com este tipo de coisas, pois acima de tudo, o que conta são as intenções das pessoas e se eu me referir como “alunos” a um grupo que contém elementos de ambos os sexos, sem ter qualquer intenção de descriminar os elementos femininos, então nenhum destes tem que se sentir ofendido ou descriminado.
Os que se sentirem descriminados, por mim podem enfiar-se numa máquina do tempo e voltar para o século 16, onde as mentalidades certamente serão mais do seu agrado.
Raúl Santos