"Empresas de tecnologia queixam-se de que jovens profissionais não sabem escrever"

Parece que finalmente o resto do país está a acordar para algo que eu ando a dizer há anos: o pessoal não sabe escrever.

Aqui fica a transcrição de um artigo escrito por João Pedro Pereira, que saiu no Público de 2 de Fevereiro de 2008, esse fatídico dia para a Expressão e Comunicação em Portugal (semi-private… para quem não percebeu, brevemente colocarei online um artigo a explicar).

A falta de capacidade de comunicação escrita é um dos grandes problemas que as empresas portuguesas de tecnologias de informação notam nos jovens profissionais. Mais grave do que isto, dizem as empresas, só as falhas ao nível das competências de gestão. A conclusão é de um estudo apresentado esta semana pela Associação Nacional de Empresas de Tecnologia de Informação e Electrónica (ANETIE). O documento analisa as respostas de 20 empresas, que empregam 3100 pessoas - o que, de acordo com a associação, representa cerca de 25 por cento da força de trabalho do sector. Às empresas foi pedido que atribuíssem uma classificação a várias competências profissionais, consoante a preocupação que tinham com a respectiva escassez. O objectivo era determinar até que ponto o ensino superior e as escolas profissionais respondiam às necessidades de um sector que, afirmou Rui Melo, presidente da ANETIE, luta com uma grande escassez de recursos humanos. O relatório indica que as empresas consideram estar bem servidas no que diz respeito às competências tecnológicas, mas que as instituições de ensino falham em oferecer formação naquilo a que o estudo chama "soft skills": domínio da língua, técnicas de marketing e negociação ou pensamento crítico, por exemplo. Em primeiro lugar na lista das preocupações das empresas está a capacidade de gestão por objectivos. De seguida, surgem empatadas a gestão de equipas e a comunicação escrita. Que as empresas se queixem da falta de aptidão para a escrita "choca um bocadinho", admitiu Fernando Fernandez, também da ANIETI. "Esta não é uma competência técnica, é uma competência essencial, que tem de ser trabalhada desde cedo. Não se pode esperar pela faculdade". Os resultados do estudo vão ser dados a várias instituições de ensino e a ANIETI resolveu criar um prémio para a instituição que, em 2008, mais fizer por diminuir a discrepância entre a formação oferecida e as necessidades das empresas.

“Escalada nos salários”

O sector das tecnologias de informação tem neste momento falta de recursos humanos, alertou Rui Melo: “Uma empresa que se queira instalar [em Portugal] já não tem onde ir buscar mil profissionais”. A situação desenrolou-se apenas nos últimos dois anos e deu origem “a uma escalada nos salários”, que as empresas têm que suportar para poder contratar profissionais. Em média, isto significa um aumento “de 15 a 20 por cento” nos salários para quem está a entrar no mercado, estimou Melo. A introdução do sistema de Bolonha, com licenciaturas de apenas três anos (salvo algumas excepções), poderá antecipar a entrada de profissionais no mercado de trabalho, ajudando a mitigar o problema, argumentou o presidente da ANIETI. O responsável criticou, contudo, as instituições de ensino que não oferecem uma formação adequada durante o primeiro ciclo de ensino e que procuram fazer com que os alunos se vejam forçados a enveredar pelo mestrado. Fernando Fernandez acrescentou ainda haver “pessoas que saem de boas universidades sem saber fazer nada de prático”.

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