De há algum tempo para cá tenho seguido o blog “Que Treta”, cujo autor foi meu professor na FCT. Por vezes surgem lá pequenos textos que expõem aquilo que eu já pensava há algum tempo mas que nunca tinha conseguido pôr por palavras, e de forma tão clara e tão simples, que até me sinto parvo por nunca ter conseguido lá chegar.
É o caso deste artigo chamado “O que está em causa”, que sugiro que qualquer interessado pelos temas da propriedade intelectual, copyright, pirataria de músicas e filmes, etc., leia.
Fica um excerto:
Antes de Gutenberg os autores viviam de criar e não das cópias. Depois de Gutenberg a tecnologia foi regulada para censurar, depois pela «sustentabilidade económica» dos impressores e ao fim de uns séculos para beneficiar também um pouco os autores, mas financiou sempre mais quem fabricava cópias do que quem criava a obra. Impressores, fábricas, editores de discos e afins. O autor nunca recebeu mais que uma pequena fracção do preço da cópia.Este sistema já não faz sentido porque a cópia agora é gratuita e pode ser feita por qualquer um. Dos €10 de um CD o autor recebe menos de €1 e o resto alimenta um sistema desnecessário. Não sou contra que ganhem esses €9 mas sou contra proibir a cópia só para que ganhem esses €9. O Desidério confunde a troca voluntária, que é o que se passa entre o agricultor, o merceeiro e o freguês, com uma proibição legal que cria escassez para beneficiar o distribuidor em detrimento dos outros.
Raúl Santos