Poucas coisas há que me irritem mais do que ir a um café ou pastelaria, pedir um bolo, e sem me perguntarem nada darem-me o bolo cortado ao meio!
Mas qual é a porra da mania de cortar um bolo ao meio? Um bolo é para se comer inteiro! Especialmente os que têm recheio, pois dá gozo é chegar à parte central, que tem mais recheio, e dar uma grande dentada para encher a boca com doce de ovo, chocolate ou outras coisas gulosas que lá estejam dentro.
Eu percebo que também pode dar jeito ter o bolo cortado, especialmente se for grande, mas porra, pelo menos perguntem primeiro! É que para além da parte de dar muito mais gozo comer um bolo inteiro, há situações em que não dá jeito absolutamente nenhum tê-lo cortado! Como comprar dois bolos para levar nas mãos até ao carro onde estão os amigos e acabar por ter de levar quatro pedaços disconexos que teimam em querer cair das mãos a toda a hora - não dá jeito absolutamente nenhum!
O mais ridículo foi quando uma vez fui lanchar com um amigo meu à Mel Tejo, uma pastelaria que havia em Almada, perto das piscinas da Academia Almadense (tinha uns bolos enormes e fantásticos, aos preços de antigamente - e mesmo antes da nova lei do tabaco já não se podia fumar lá dentro :D). Eu pedi um sumo e um bolo de arroz, ele pediu um sumo e um outro bolo qualquer. Sem dizer nada, o empregado cortou o bolo do Nuno ao meio e já ia começar a cortar também o bolo de arroz ao meio quando eu reparei e lhe dei um semi-grito para parar… sim, um bolo de arroz! “Ridículo” é o termo menos ofensivo que me ocorre ao pensar em tamanha alarvidade e ofensa a uma criação do Senhor tão boa como aquela. A questão que rapidamente se seguiu, da autoria do Nuno, foi brilhante como é costume dele: “se não lhe dissessemos nada, também me cortava o sumo ao meio?”
Exmos. Srs. da restauração, em particular de estabelecimentos que vendam bolos, croissants e afins: perguntem aos vossos clientes se querem que lhes cortem a comida ao meio, pois se não o fizerem, arriscam-se a irritar alguém, tirando-lhe todo o gozo que iria ter a comer o bolo, e podendo por causa disso perder um cliente.
Da minha parte, vou começar a andar com um alicate no bolso e quando me cortarem um bolo ao meio sem eu pedir, pago em moedas também cortadas ao meio…
Raúl Santos