Gestão de tempo

Andava para aqui à procura de não-sei-bem-o-quê e encontrei um texto que escrevi há uns anos atrás, mais precisamente em Maio de 2001, a pedido do então instrutor de Gong Fu da AAMYP na Academia Almadense, o Tony Chee.

Foi numa altura em que comecei a dar mais importância a usar o meu tempo correctamente. Curiosamente, pouco depois foi também a altura de maior declínio nesse meu cuidado. Hoje em dia ainda sofro um pouco desse mal mas tenho consciência dele e penso que o consigo controlar minimamente.

Como será que me irei ver neste aspecto daqui a outros 8 anos?

Aqui fica o texto.

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  • Gestão de tempo
  • Maio de 2001
  • Raul Pedro Santos */

Da primeira vez que entrei para a YMAA, “tive” que desistir porque não tinha tempo para treinar e não conseguia conciliar o treino com os estudos. Na altura ainda estava no ensino secundário. Agora que estou na faculdade, tenho três vezes mais trabalho e ainda consigo arranjar tempo para treinar.

Quando estava a acabar o ensino secundário eu costumava pensar que tinha muito trabalho. Claro que toda a gente me dizia que a minha vida era uma maravilha por eu não ter muito que fazer. Mesmo assim eu continuava a pensar “como é que podem dizer isso? Tenho trabalhos de casa todos os dias, testes de três em três semanas, montes de coisas para ler…” Apesar de todas essas minhas “queixas” eu ainda conseguia ter tempo para jogar no computador, ir passear com os amigos, ir ao cinema, fazer os meus programas no computador, andar de bicicleta… Na altura eu não me apercebia que gastava muito do meu tempo com coisas “inúteis” – não que não sejam importantes, apenas são menos importantes do que aquelas que queremos mesmo fazer – e só no ano passado é que comecei a ver as coisas de maneira diferente.

Quando reentrei para a YMAA, faltava muitas vezes aos treinos porque tinha outras coisas para fazer mas pensava que estava a fazer um bom trabalho, pois estava a sacrificar uma coisa (o treino) para poder fazer outras (estudar para um teste, etc.). A gestão do meu tempo era um caos mas eu ainda não sabia disso.

À medida que o tempo passou comecei a tomar mais atenção ao que o Tony dizia no final dos treinos. Não que antes eu não ouvisse o que ele dizia mas comecei a “ouvir” mais e uma das coisas que ele dizia muito era que tínhamos que treinar arduamente se queríamos aprender Gong Fu, pois se não sabíamos as coisas básicas, então nunca seríamos bons nas matérias mais avançadas. “Ainda não sei isto? OK, não faz mal, vou treinar mais e mais até ter aprendido.” Este pensamento tornou-se num lema para mim e tomei-o como base para o meu ’treino pessoal’ de gestão de tempo. Se havia tanta gente a treinar na YMAA, muitos deles estudantes do ensino secundário, outros tantos estudantes do ensino superior, e alguns até casados, porque é que eu não haveria de ser capaz de ter tempo para treinar? Foi então que comecei a pensar no que fazia com o meu tempo.

O problema era que eu “inventava” sempre alguma coisa para fazer no lugar do que deveria estar a fazer. Por exemplo, em vez de procurar na Internet por um artigo sobre Evolução para a aula de Biologia do dia seguinte, acabava por ir visitar o website de um jogo de computador. Ou em vez de estudar para o teste de matemática acabava por passar duas horas a tocar guitarra só por não me aperceber de que os “só mais cinco minutos” já tinham passado há muito.

Então comecei a evitar este tipo de situações e o meu tempo livre duplicou. Já não faltava aos treinos e até tinha tempo para outras coisas.

Agora treino todos os dias – ou pelo menos tento. Infelizmente isso nem sempre é possível, pois há alturas em que tenho muitas coisas para fazer e tenho de respeitar as prioridades mas acho que estou a ir no bom caminho… ou daí, talvez a minha gestão de tempo ainda não preste, afinal, por continuar a ter de sacrificar algumas coisas.

Quando o Tony me pediu para escrever um artigo, eu estive prestes a dizer “Lamento mas não tenho tempo” mas numa fracção de segundo pensei “E porque é que não tenho tempo? Que coisas mais importantes é que tenho para fazer? Jogar no computador? OK, tenho os projectos do final do semestre para fazer mas só têm de estar prontos daqui a duas semanas. Será assim tão difícil arranjar tempo para escrever o artigo?” e então disse sem hesitar “Claro, eu escrevo um artigo. Sobre que tema queres que escreva?”.

A minha opinião é que as pessoas não estão habituadas a ter uma lista de prioridades e respeitar essa lista. Sou o primeiro a dizer que não é fácil mas acredito que se as pessoas tentarem, conseguem. No entanto não acho que esta lista deva ser imutável. Por vezes temos de alterar a nossa à medida que caminhamos neste longo caminho a que alguns chamam vida.

Também não estou a dizer que a nossa vida deva ser só trabalho, trabalho e trabalho! Temos de ser capazes de equilibrar as coisas; às vezes é necessário sacrificar umas coisas para poder ter outras. Em vez de ficarmos acordados até tarde a ver televisão, devíamos ir para a cama mais cedo e acordar mais cedo para estudar para aquele teste de matemática que temos daí a três dias. Em vez de fazermos horas extra no trabalho todos os dias, devíamos escolher um dia para irmos para casa mais cedo e passar algum tempo com a família. Trabalhar/relaxar, estudar/brincar, treinar/descansar, yin/yang…

Gerir eficientemente o nosso tempo pode ser uma das coisas mais difíceis de conseguir mas estou a aprender que se o fizer como deve ser, pode ser muito recompensador.

Estes são os meus pensamentos sobre gestão de tempo. Espero que vos ajudem a tentar gerir melhor o vosso tempo.

E já que falei sobre tempo, vou terminar citando o Padre António Vieira:

“Peço desculpas por ter sido prolixo, porque não tive tempo de ser breve.”

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