O futuro dos videojogos - ainda há esperança

Há já vários anos que digo que os videojogos andam a sofrer de um grande mal, que é a atenção quase exclusiva nos detalhes visuais em deterimento da jogabilidade, profundidade da história e diversão geral proporcionada ao jogador.

Hoje em dia se queremos acompanhar os jogos que vão sendo lançados, temos que gastar balurdios em material, sejam consolas novas, sejam placas gráficas de última geração. E tudo isto para que nos tirem uma das coisas mais importantes nos videojogos: o trabalho da nossa prórpria imaginação. Há excepções, como a trilogia do Prince of Persia (não o mais recente, os três anteriores), que tem uma história simplesmente fabulosa, uma jogabilidade bastante boa e um nível de entertenimento geral que eu não via num jogo “grande” há já bastante tempo. Mesmo assim, a minha placa gráfica quase não aguentava com os jogos.

Por causa disso deixei de seguir as últimas novidades de jogos “grandes” há já algum tempo e comecei a prestar cada vez mais atenção aos pequenos jogos independentes, cujos criadores, por não terem bolsos tão fundos como as grandes produtoras, apostam mais na jogabilidade, história, etc. O resultado são jogos que exigem menos de uma placa gráfica e mais da nossa imaginação, o que faz com que a experiência seja muito mais rica do que se tivermos gráficos tão bons que quase se confundem com um filme.

Mas no meio disto tudo há ainda uma coisa importante, que eu não sei como adjectivar mas que descobri há já algum tempo nos jogos do Jason Rohrer. É a simplicidade gráfica que liberta e puxa a imaginação mas é também a panóplia de reviravoltas emocionais e nós cerebrais que os jogos causam. São experiências verdadeiramente diferentes. E tudo feito por um só tipo, ocupando geralmente cerca de 2 megabytes. Um tipo, sozinho, nos seus 30 anos de idade, com 2 megabytes, faz o que enormes produtoras, com dezenas e centenas de pessoas a trabalhar nos seus projectos e vários milhões investidos nos mesmos, não conseguem fazer.

Hoje descobri um artigo sobre o Jason na Esquire, o qual achei interessantíssimo. Tão interessante que me levou a escrever isto tudo. Recomendo vivamente a sua leitura a todos os que se interessem por videojogos, tal como recomendo vivamente que experimentem os jogos do Jason.

Um excerto:

According to Jason Rohrer, the reason for this is simple: "Ebert's right." Games suck. Game companies have spent so many years trying to make skulls explode complexly and water ripple prettily that they haven't invested any time in learning how to make games that are as emotionally dense as the best novels and films. Most games are a waste of time. Soulless. Empty. Rohrer is far from the only game-maker who believes this. In fact, a growing number of game-makers in positions of power at large companies -- Electronic Arts, Ubisoft, etc. -- aren't interested in continuing to defend the industry against its critics. Because, one, it's hard to see how the critics are wrong, hard to see how Halo 3 and Grand Theft Auto IV aren't what they seem to be. Murder simulators. Really fun murder simulators. And, two, if you're a middle-aged game-maker and you're going to see Children of Men on the weekend with your wife and kids and getting your mind blown, you hit a point where you want to do something better, more important, than making blood flow realistically.

Ainda há esperança para os videojogos…

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