Árvores de Natal - com uma prenda no fim

Quando era criança, uma das coisas que mais alegria me dava era ir apanhar a árvore de natal e musgo para o presépio com a minha família. Era uma manhã ou tarde fabulosa que eu tinha todos os anos, a caminhar pela floresta com toda aquela multitude de cheiros e cores que só tornavam toda a experiência ainda mais mágica. Não somos religiosos mas este “ritual”, tal como todo o natal, é uma tradição que já vem de há muito tempo na minha família e, pelo menos para mim, era simplesmente uma boa desculpa para passar tempo com a família num ambiente diferente. Há também todo o lado hipócrita da coisa e, de facto, podíamos - e devíamos - fazer o esforço por juntar a família mais vezes, sem ser no natal. Mas eu prefiro ver o lado mais positivo da coisa.

Voltando à árvore de natal…

A partir de certa altura da minha vida, quando eu e os meus amigos já tínhamos idade para nos preocuparmos com questões ambientais, algumas pessoas começaram a criticar-me por andar a cortar árvores e destruir a natureza. O facto é que o dano é infinitamente pequeno e reparado numa questão de, literalmente, dias - o musgo cresce novamente passado alguns dias, portanto daí não há problema. A árvore é uma questão menos explícita mas ainda menos preocupante - é que as árvores que apanhávamos iam sempre acabar por morrer por estarem muito próximas de outras maiores. Ou seja, também não seria por aí que iria haver mal.

No entanto as críticas continuam ainda hoje - mas ainda bem; sempre que alguém me critica por lhe contar que fazia isto, fico contente, porque percebo que cada vez mais as pessoas têm preocupações com o ambiente - mesmo que depois façam mil outras asneiras ainda piores (até eu o devo fazer)… :)

No entanto há um ponto em que esta preocupação é válida e no qual só há uns anos é que comecei a pensar: mesmo tendo consciência do que se está a fazer, se em vez de uma família a apanhar uma árvore e um ou dois metros quadrados de musgo, forem centenas ou milhares de famílias a fazer a mesma coisa? A situação aí muda de figura, como é óbvio e tendo em conta que a população aqui em Almada tem aumentado brutalmente nos últimos anos, torna-se uma preocupação bastante válida. Ainda assim, as matas onde íamos apanhar o musgo e as árvores, sempre lá estiveram e nunca se viu qualquer alteração por abuso humano - excepto quando começaram a decidir fazer delas pedreiras -, portanto creio que nunca se terá chegado a esse ponto, felizmente.

Penso que não foi por esse motivo que deixámos de ir apanhar a árvore de natal, foi algo que simplesmente aconteceu, com muita pena minha, pois sinto que perdi uma parte mágica da minha vida e um dos poucos momentos de convívio “lá fora” com os meus pais.

Mas ainda fazemos a árvore de natal com o presépio. Na esmagadora maioria das vezes não fazemos presépio com musgo, o que me dá pena, porque eu adorava ter o chão todo verde por baixo da árvore e sentir aquele cheiro a mata dentro da sala, mas continuamos a ter árvores naturais quase todos os anos. Já não as apanhamos, como fazíamos antigamente, mas compramo-las. Inicialmente não gostava da ideia, porque considerava que estava a incentivar o abate de árvores para venda mas depois descobri que os bombeiros, por exemplo, o fazem de qualquer modo para desbastar o mato e evitar incêndios, portanto não me importo de comprar essas árvores - apesar de ainda ter algum receio de que esse lado comercial da coisa leve ao abate excessivo…

Mas recentemente começaram a aparecer árvores vendidas para o natal mas com raiz e terra, com o objectivo de serem replantadas.

E agora o motivo que me levou a escrever tudo isto, a “prenda” de que falo no título: o Ikea está a fazer isto mesmo, a venda de árvores com raiz e terra, como já fez em anos anteriores, e com um toque adicional: as árvores custam €10 e se as devolvermos até 17 de Janeiro, eles devolvem €7 e comprometem-se a replantá-las.

Portanto para aqueles que fazem árvore de natal, seja por motivos religiosos ou não, têm aqui uma oportunidade de ter uma árvore natural, sem se preocuparem com o abate de árvores e tendo ainda a possibilidade de a replantar posteriormente no vosso quintal ou num terreno que tenham, ou, não tendo essa possibilidade, de a devolverem ao Ikea, recuperarem 70% do que pagaram por ela e ainda saberem que será plantada novamente. Parece-me um excelente negócio! :)

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