Isto é o estado actual do consumo de entretenimento controlado pelas grandes corporações que só vêem lucro à frente:
(original aqui).
Curiosamente, há empresas que ainda não entenderam que isto é das coisas que, actualmente, mais leva os consumidores a preferirem uma versão pirata de um jogo ou filme, e continuam incessantemente à procura de como adicionar mais entropia ao sistema.
Um exemplo disso é o da Ubisoft, que recentemente confirmou que está a fazer algo que nunca passou pela cabeça de ninguém - e, na minha opinião, nunca passaria pela cabeça de alguém minimamente inteligente: a partir de agora, os jogos da Ubisoft, a começar pelo Assassin’s Creed 2, vão requerer uma ligação constante à internet.
Com isto esperam obrigar as pessoas a comprar o jogo. Devem ter investido muito tempo e dinheiro para criar este sistema, na esperança de que obtenham mais lucro. O resultado é que o jogo já está disponível em versões piratas (confesso que não sei se funciona ou não, não fiz o download do bicho, nem sequer tenho máquina para o correr :( ) e a Ubisoft fica exactamente na mesma.
Em vez de terem gasto todo aquele dinheiro e tempo a desenvolver uma coisa que, como já toda a gente devia saber, acaba por deixar de funcionar mais cedo ou mais tarde, podiam ter reduzido o preço do jogo, por exemplo, e de certeza que iam vender muito mais, não só porque mais pessoas sentiriam vontade de comprar um jogo que custasse 30 ou 40 euros em vez dos típicos 50 ou 60, como também se sentiriam mais atraídas por um jogo que não lhes causa problemas e dores de cabeça. Por exemplo, quem é que quer jogar um jogo que, se a ligação à internet for abaixo, corre connosco do mesmo e não grava o nosso progresso? Eu não quero…
Eu, que comprei a trilogia do Prince of Persia (Sands of Time, Warrior Within, The Two Thrones) e que gostava imenso da Ubisoft pelo desenvolvimento da mesma, não pretendo voltar a dar nem um tostão por um jogo da Ubisoft, enquanto tiverem este esquema draconiano montado. Recuso-me.
Portanto aí têm, Ubisoft. Se o que queriam era afastar os vossos consumidores leais, conseguiram-no. Se o que queriam era impedir a pirataria de mais um dos vossos jogos e fazer mais dinheiro com isso, lamento informar-vos que fracassaram miseravelmente. Talvez devessem aprender qualquer coisa com a Stardock…
Raúl Santos