"Auto-estrada" IC32

Há quem diga que sou demasiado conservador. Eu penso que essas pessoas não podiam estar mais longe da verdade. Eu sou completamente a favor do progresso, da evolução - o problema é que sou contra um progresso destrutivo, que por vir das mãos de políticos e empresários que só vêem lucro à fremte, é quase sempre tão dissimulado que a maior parte das pessoas não o vê. Quem o vê e diz que é contra, é considerado demasiado conservador ou até retrógrado.

A última situação dessas que tive foi recentemente, numa conversa com um colega, relativamente à construção da chamada “auto-estrada” IC32. Não é auto-estrada nenhuma, é um IC, mas o pessoal insiste em confundir as coisas, o que, aliado à religiosidade da coisa, me leva a questionar a inteligência do grupo do movimento de cidadãos que está a tentar alterar o traçado da estrada.

A mim incomoda-me muito mais o facto de estarem a destruir uma área brutal da pouca vegetação que já temos em Almada, do que o facto de aquilo ter sido um sítio de reza para o pessoal de há não-sei-quantos anos atrás - e não sei até que ponto, nos dias que correm, alegar esse tipo de coisas não faz com que a credibilidade das pessoas caia, em vez de serem encaradas com seriedade por quem poderia fazer alguma coisa.

Mas dou-lhes valor pelo esforço e respeito-o. É preciso que alguém tenha este tipo de iniciativas, mesmo que se comece por evocar os motivos errados e com o tempo se aprenda a fazer as coisas de maneira a serem levadas mais a sério.

Há uma petição online que invoca estas “religiosidades” e “culturalidades” todas, e que terá o valor e eficácia que estas petições online costumam ter. Mas se for tarde para alterar alguma coisa, então pelo menos que fique registado que um número de cidadãos se opunham.

Assinei-a mas tenho muita pena que a petição foque exclusivamente os motivos religiosos. Acho que era preferível tentarem fazer ver outros pontos, mais importantes e sérios - mas na realidade, contra o dinheiro que estas obras movem e, particularmente, depois de já terem começado, pouco há a fazer.

É até ao dia em que alguém se passe da cabeça e comece a usar violência para impedir este tipo de merdas…

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