Vi hoje no Facebook uma pequena entrada de uma pessoa que não conheço mas que conseguiu resumir em tão poucas palavras o repúdio que sinto pelo tipo de sociedade que estamos a criar, especificamente o 2º parágrafo, que nas poucas palavras por que é composto, contém o que para mim são os símbolos claros de uma sociedade em decadência.
Provavelmente quem não tem conta no Facebook não consegue ver, portanto tomei a liberdade de reproduzir aqui o texto (faltam as fotos).
A desolação em que fiquei por não ter conseguido salvar a Amy, ainda com a Farrusca fresca de saudades, levou-me a procurar uma cadela em aflição que pudesse honrar a memória de ambas.Encontrei a Farrusca III no canil de Setúbal, na véspera de ser abatida. Justificação: «Já cá está desde Janeiro e ninguém a quer». Eu quis. Segundo me contaram, a cadela pertencia a uma senhora idosa que foi para um lar… e a cadela foi entregue no canil. Decididamente, esta terra não é para velhos nem para cães.
É esta a civilização que temos vindo a construir. Uma civilização urbana de duas assoalhadas, onde não cabem velhos nem cães. Os velhos vão para o lar - o canil dos velhos -, os cães para o canil.
Aqui, a Farrusca III já depois de tomar banho, de ser escovada, de ter sido apresentada ao Ippon (a Cookie terá de ficar para mais tarde, pois está em plena crise de epilepsia). Como vêem, não se pode dizer que o canil de Setúbal alimente mal os cães. Mesmo ao fim de 6 meses, esta está bem gordinha. E a pelagem brilhante também confirma que a ração não é má. Fica assim apresentada aos amigos do FB.
Raúl Santos