Actualização: A vida às vezes consegue ser bastante irónica.
O Roy morreu ontem durante a noite, após eu colocar este pedido de ajuda. Foi encontrado hoje de manhã, já morto, junto ao portão do terreno onde viveu fechado e sozinho os últimos 9 anos da sua vida. Mesmo no fim, acredito que a coisa que ele mais continuava a querer fosse ter alguma companhia e sair daquela prisão a que foi condenado, sem ter cometido nenhum crime.
Descansa em paz, Roy. Desculpa não ter conseguido ajudar-te. :(
Nota: reduzi a quantia do ChipIn para $200 (pouco menos de €200). Quem ainda quiser contribuir para amortizar as despesas, eu agradeço.
Actualização em Janeiro de 2020: Retirei o link para o ChipIn pois o site já nem existe.
Este é o Roy.
Encontrei-o há cerca de três semanas dentro do terreno que se vê nas fotos, tão magro que eu nem sei como se conseguia mexer. Ainda no mesmo dia levei-lhe alguma comida, a qual ele devorou sem hesitar - comeu o conteúdo inteiro de uma lata de comida de 1220g do Modelo. Pelo olhar dele, se eu tivesse levado mais, ele tinha comido mais.
No dia seguinte consegui o contacto dos donos do terreno e liguei-lhes para saber a história do Roy. Foi aí que fiquei a saber o seu nome, que tem cerca de 10 anos e que vive ali há 9. O objectivo era ser um “cão de guarda” mas o Roy é dos cães mais meigos que já vi e os próprios donos do terreno o reconhecem, pois segundo eles mesmos, até já lhes assaltaram o terreno 3 vezes e o Roy nada fez aos ladrões.
Fiquei também a saber que de há uns tempos para cá o Roy não tem comido a comida que lhe dão. Confirmei que de facto ele não toca no granulado que lhe é posto na tijela - mas não é por falta de apetite, pois ele devora a comida que lhe levo, como se não houvesse amanhã.
O maior problema aqui é a ignorância dos donos: dizem que “não podemos fazer mais, porque o Roy é um cão de guarda, não é um cão de estimação que se tenha em casa, porque com esses sim, temos que ter mais cuidados, mas este é um cão de guarda e não podemos fazer mais por ele.” Dizem ainda que “há um mês e tal ou dois meses, ele comeu uma rata envenenada e agora tem o sangue envenenado. E isto é como as pessoas, quando se tem o sangue envenenado não há nada a fazer, é esperar que a morte venha.”
A primeira afirmação dispensa comentários mas convém notar que se o Roy tivesse de facto ingerido veneno para ratos, não durava nem dois dias, quanto mais dois meses.
Eu não podia ficar indiferente perante esta situação, por isso pedi ao dono do terreno que me deixasse tirar de lá o Roy para o levar ao veterinário. Felizmente os donos do terreno não são más pessoas de coração, apesar da ignorância extrema e alguma estupidez, e têm estado a colaborar comigo, por exemplo, indo abrir-me o portão para o levar ao veterinário e depois para o voltar a deixar lá.
Já levei o Roy ao veterinário duas vezes, tendo já sido feitas análises ao sangue dele. Infelizmente o Roy tem leishmaniose e, derivado disso, uma insuficiência renal. Ainda assim, tanto eu como o veterinário que o tem acompanhado temos esperança de que ele ainda possa recuperar. Ele tem melhorado nestas três semanas há que estou a tratar dele, e nota-se que está a recuperar algum peso - mas ainda tem muito que comer para voltar a ser o cão grande e de pêlo bonito que já foi.
Infelizmente não tenho possibilidade de o trazer para minha casa para poder cuidar dele. Todos os dias vou duas vezes dar-lhe comida e a medicação mas por vezes ele não quer comer, o que estraga um pouco os horários a que devia tomar os medicamentos.
Tudo isto tem tido custos a vários níveis: financeiros, de tempo e emocionais. Os últimos dois eu tenho tido que acarretar inteiramente mas queria tentar diminuir pelo menos o primeiro e queria também tentar arranjar uma família que acolhesse o Roy, pois as deslocações diárias para lhe dar comida e medicação têm-me causado um enorme transtorno, falhando algumas vezes as horas da medicação, o que é péssimo, mas acima de tudo porque se vê nos olhos tristes dele que se sente sozinho e precisa de companhia (não admira, após 9 anos fechado num terreno no qual passa os dias sozinho e por onde não passa ninguém) e de quem possa tratá-lo com mais atenção do que me é possível a mim.
Os donos do terreno já disseram que não se importam de mo dar mas eu não posso ficar com ele, pois já tenho a casa lotada. Dizem que também tencionam contribuir para estas despesas todas mas tendo em conta o tipo de pessoas que são, penso que o mais provável é que considerem um exagero os valores que estão em jogo - porque afinal, “o Roy é apenas um cão de guarda,” por isso, e apesar de eu achar que eles é que deviam ser responsabilizados pelos gastos e pelo estado do animal, não quero “contar com o ovo no cú da galinha”, como se costuma dizer. Afinal, acho que não devo contar com pessoas que deixam um cão chegar ao estado em que o Roy está sem lhe darem os devidos tratamentos, e ainda dizerem que “não há nada a fazer, é esperar que a morte venha.”
Posto isto, venho pedir a quem puder contribuir com um donativo, que o faça (utilizem o quadradinho do ChipIn lá em cima). O objectivo é chegar aos €500, que é o valor que estimo que irá custar o tratamento todo (medicamentos, consultas no veterinário, comida, deslocações, etc). Eu já gastei cerca de €250 e obviamente que quero contribuir mas gostaria de amortizar esse valor e também angariar fundos para poder continuar o tratamento do Roy, especialmente se houver uma família disposta a acolhê-lo, pois preferia que não tivessem a totalidade da preocupação financeira, já que terão a preocupação do tratamento.
Peço também que espalhem a palavra, para que se tente encontrar uma família que possa acolher o Roy e dar-lhe os cuidados, a atenção e o carinho que ele merece.
Obrigado!
Raúl Santos