É fantástico como os poderes políticos conseguem fugir constantemente à lei, para perseguir interesses sabe-se lá de quem.
Desde a estrada “panorâmica” que querem espetar em plena paisagem protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, às coisas mais pequenas que passam mais despercebidas, neste país vê-se de tudo um pouco.
O que mais me incomoda é que esta gente dá cabo do que é de todos, muitas vezes com prejuízos para a saúde pública, e nada lhes acontece; mas se eu lá for cravar um chapadão (ou pior) bem merecido no focinho dos tipos que fazem estas coisas, vou logo preso por agressão e o diabo a sete.
Desta vez é a Reserva Natural das Berlengas (se é que hoje em dia ainda se pode chamar reserva) que está a ser atacada pelos ditos “interesses”. Parece que se descobriu agora, dezenas de anos após viver gente permanentemente na ilha, que uma espécie de ratinho que a habita incomoda alguém o suficiente para se usarem venenos proíbidos por lei e prejudiciais para a saúde animal e para o ecosistema onde são utilizados. Depois de anos e anos de pessoas a conviverem pacificamente e sem qualquer problema com este animal, de repente torna-se um problema suficientemente grave para se tomarem medidas extremas e ilegais. Eu chamaria a isto manobra publicitária - porque afinal, um rato é uma “criatura nojenta” e ninguém quer turistas chateados por haver “criaturas nojentas” numa reserva natura - mas é bem mais grave que isso; é mesmo um crime ambiental.
Raúl Santos