Desperdício alimentar

Recebi hoje de uma amiga o seguinte e-mail, a promover uma petição contra o desperdício alimentar:

Olá a todos.

Nunca fiz um email deste tipo, mas às vezes damos por nós perante situações em que podemos fechar os olhos e passar ao lado ou agirmos de algum modo, mesmo que se ache que de pouco serve.

Li hoje um artigo sobre um facto que está a ocorrer no nosso pais e que se agrava de dia para dia.

Diariamente professores e funcionários de escolas, constatam que os seus alunos apresentam sinais de carência em termos de alimentação. Existem escolas cujos refeitórios abrem já ao fim de semana e para jantares, e a reforçar lanches, de modo a possibilitar aos seus alunos mais uma refeição decente, já que se começou a constatar crianças que na 2ª Feira ao chegarem às escolas, pouco tinham comido desde 6ª Feira. Muitas destas crianças trazem para estas refeições os irmãos mais novos ou mais velhos, que também acabam por beneficiar delas. Muitas escolas preparam-se para abrirem os seus refeitórios durante as ferias de Natal que se aproximam, para que não deixem de continuar a comer.

Na mesma página que aborda este assunto, uma outra noticia dá conta que devido a uma lei de 2002, muitos refeitórios de empresa e restaurantes são obrigados a deitar fora os alimentos do dia-a-dia que no fim dia sobram. Esta lei apesar de tentar “beneficiar” a saúde publica, noutros moldes poderia ajudar a combater a outra realidade cada vez maior no nosso país. Provavelmente, com uma lei bem feita e boa vontade de muitos, estas entidades poderiam ajudar na entrega de refeições a instituições que tentam com possibilidades financeiras muito reduzidas, contribuir para minimizar a crescente falência alimentar de muitas famílias, que ocorrem a elas cada vez em maior numero.

Como temos de começar por algum lado, existe uma petição em curso para solicitar “Alterar-se/adaptar-se a lei ( feita por homens e para os homens ), de modo a permitir que todo esse alimento em perfeitas condições, seja verificado, acondicionado, transportado e distribuído a quem precisa.”

Temos cada dia mais situações graves, insustentáveis e de uma falta de humanidade gritante. Com todos os problemas graves que atravessamos, com a perspectiva de congelamento de futuro, de um país que é de todos nós que as ultimas semanas firmaram, julgo ser importante o contributo de todos para ajudar no que for possível, nos tempos que se avizinham.

Assim, convido-os a todos a dar um olhinho a esta causa e assinarem a petição: http://www.peticaopublica.com/?pi=Cidadao

Para quem quiser existe também no facebook: “Acabar com o Desperdício Alimentar”.

Pode não ser nada comparado com aquilo que deveria ser feito, mas podemos também ir começando a dar passinhos nas coisas mais simples e aos poucos avançado para aquelas que realmente importam. Assinar uma petição não custa nada para nós mas pode ser uma forma de o debate ser lançado e quem sabe no futuro ajudarmos de alguma forma.

Beijinhos

Tenho pensado imenso em coisas deste género e no ridículo a que nos deixámos chegar enquanto sociedade que se diz civilizada.

Por exemplo, todos os anos são destruídas toneladas de comida e leite que produzimos cá, porque estamos a produzir mais do que a nossa quota da UE. Supostamente (e isto é apenas o meu entendimento da coisa, que pode não estar correcto) é para o mercado ser justo, para que os outros, que não conseguem produzir tanto, tenham uma hipótese de competir no mercado com os seus produtos sem serem esmagados por preços muito mais baixos que os seus. Dinheiro, portanto.

Compreendo que um agricultor holandês não queira deixar morrer a sua família à fome por não conseguir vender os seus produtos mas há duas coisas importantes a ver aqui:

1 - Os produtores que são afectados pela concorrência a este nível internacional não são os “Tio Jaquim” que têm uma hortazinha; esses sim, são afectados pela concorrência da produção em massa. Os grandes, a quem supostamente estas regras da concorrência protegem, não morrem à fome se não venderem tanto. Mas isto levanta outra questão e já lá vou mais à frente.

2 - Para não deixar morrer à fome a família do agricultor holandês, destroem-se toneladas de alimentos que podiam impedir que morressem à fome muitas outras pessoas. Algo está ao contrário…

A solução para isto é muito simples: cada um produz no máximo o que precisa. Uns terão capacidade de produzir a mais e outros não terão capacidade de produzir o suficiente para o que precisam, portanto os que conseguem produzir a mais podem aumentar um pouco a sua produção para cobrir a necessidade dos que produzem a menos. Reduzem-se logo aqui drasticamente dois problemas ambientais: a sobre-exploração de recursos e o peso ambiental de consumo de produção não-local (milhares e milhares de barcos, camiões e aviões todos os dias a transportarem comida de um lado para o outro em longas distâncias tem um peso considerável em termos de poluição).

Claro que isto seria muito bonito se não vivêssemos numa sociedade consumista mas como vivemos, iria haver muita gente que se ia opor logo a medidas deste género, porque isso iria cortar os seus mega lucros de produção em quantidades estupidamente grandes (aqui estão os tais produtores que não morrem à fome se não venderem tanto).

E por fim, a coisa que talvez me faz mais confusão, gerada pela ganância e pela Economia, provavelmente a coisa mais brilhante e ao mesmo tempo mais mal utilizada que o Homem já inventou. Refiro-me a deixarmos pessoas e animais, outros seres vivos como nós, morrerem à fome ou de doenças, porque temos a solução numa mão mas como na outra não nos põem dinheiro, não a damos. Preferimos destruir comida, a dá-la a quem dela necessita. Como é que alguém consegue ver outras pessoas a morrer de fome e de doenças curáveis e negar-lhes o que para si é ninharia e para eles significa a diferença entre viver e morrer? E tudo isto para manter lucros e dinheiro a circular, em prol de um sistema económico que está mais que provado que não funciona.

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