Humble Indie Bundle 2

No seguimento do enorme sucesso que foi o primeiro Humble Indie Bundle, que gerou mais de $1000000 (sim, mais de um milhão de dólares americanos) de receitas, incluía os jogos Aquaria, Gish, Lugaru HD e Penumbra Overture, e dos quais o código foi posteriormente lançado sob uma licença de Free software, chega-nos agora o Humble Indie Bundle 2, com os seguintes jogos: Braid, Cortex Command, Machinarium, Osmos e Revenge of the Titans.

Neste momento o segundo Bundle já vai com mais de $750000 (são setecentos e cinquenta mil dólares americanos) de receitas. No primeiro dia fez mais de $500000. Impressionante, não? :)

Pessoalmente conheço todos os jogos excepto o Braid mas já me falaram muito bem dele. Actualização: entretanto já joguei ao Braid e posso dizer que fiquei absolutamente boqueaberto com o jogo. A mecânica de jogo é muito simples mas tem um toque único: podemos manipular o tempo, voltando atrás para emendar erros cometidos (que é algo que se liga com a história mas não vou dizer muito para não estragar a surpresa). A história é muito boa, o grafismo é deslumbrante, a banda sonora é absolutamente fabulosa e a mistura de tudo isto dá o que considero uma das melhores surpresas (se não mesmo a melhor) que tive com jogos nos últimos anos, da mesma forma que o Machinarium. O Cortex Command faz-me lembrar os velhos tempos de quando havia muito mais jogos divertidos do que há hoje - mas atenção que ainda está em desenvolvimento. Os controlos ainda são um pouco desajeitados e a adaptação da imagem às várias resoluções permitidas não é a melhor (aumentem muito a resolução do jogo e vão precisar de uma lupa para ler o texto). O Machinarium é simplesmente fabuloso a todos os níveis (história, grafismo, música) para quem gosta de aventuras gráficas. O Osmos é lindo gráficamente, com uma boa banda sonora e estupidamente viciante, para além de ter um conceito de jogo original e interessante. O Revenge of the Titans é daqueles joguinhos que nos fazem voltar e voltar até conseguirmos finalmente ganhar - um típico “tower defense”.

No final de contas ponho o Braid e o Machinarium no topo da lista, bem distantes dos outros. Só por estes dois, este Bundle vale bem o preço habitual de um dos jogos “grandes” de trampa de hoje em dia em que o que interessa é ter gráficos que pareçam reais mas requerem placas gráficas de 500 Euros, ter muito sangue, muitas armas, sem história nenhuma (porque pensar dá trabalho) e que custam milhões a desenvolver. Adicionando os outros, o valor do que recebemos ainda é maior. Nestes jogos “independentes”, alguns feitos por uma só pessoa, estão verdadeiras obras de arte e lições para a indústria dos jogos.

Para quem não sabe o que é o Humble Indie Bundle: alguns “desenvolvedores” (temos mesmo de arranjar um termo Português para “developer”) independentes de jogos decidiram juntar as suas criações num só pacote, livre de complicações de DRM, compatível com Windows, Mac e Linux, e deixar que seja o público a decidir quanto quer dar por tudo. Ah, e ainda podemos escolher dar parte do nosso dinheiro para a Electronic Frontier Foundation e/ou para a fundação Child’s Play.

Há quem diga que são parvos porque vão perder dinheiro. Eu penso que em termos de negócio foi uma ideia mais que genial e o primeiro Bundle provou-o. Ao permitirem que as pessoas ditem o preço, vão certamente ter muita gente a pagar menos do que o preço normal dos jogos - mas por outro lado, também vão ter muita gente a pagar bem mais, como se pode ver no site, com pelo menos 10 pessoas a terem dado mais de $500 pelo Bundle. Para mim, só o facto de não terem qualquer tipo de DRM ou controlo de acesso a importunar os jogadores, vale muito! E, relacionado com a questão de não haver DRM ou protecções chatas, penso que também foi uma ideia genial em termos de princípio, porque prova um ponto importante: as pessoas não se importam de dar dinheiro pelas criações de outros, desde que considerem o preço justo. Aqueles que não dão preferem “piratear” o software, vão sempre a existir, seja qual for o preço fixo que o criador defina para a sua obra. Pelo menos desta forma atingem um público muito mais abrangente.

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