A pseudo-cultura da Sábado

A famigerada entrevista da revista Sábado a meia dúzia de jovens, supostamente alunos de universidade, tem dado que falar.

Quando surgiu, começou logo a rodar nas redes sociais da moda, com toda a gente a rir e a gozar com a suposta ignorância e falta de cultura dos jovens do seu próprio país.

Quando a vi disse que tanto a jornalista como a revista deviam ser processados pelo feito. Felizmente um dos entrevistados, o João Ladeiras, pensou no mesmo. E parece que eu e o João não somos os únicos a pensar que a peça é uma vergonha e um exemplo perfeito do mau jornalismo que se faz em Portugal, prestando assim um péssimo serviço ao seu público.

O que mais me incomoda, para além da idiotice de perguntas (porque, por exemplo, é uma parte importantíssima da cultura geral de qualquer um saber quem fundou a Microsoft), é que a imagem transmitida pela peça só é negativa por escolha da jornalista e da revista. É facílimo gravar dezenas de perguntas e respostas e depois escolher as piores delas para fazer passar a imagem errada. É igualmente fácil fazer o oposto: basta escolher mostrar apenas as respostas em que os jovens acertaram.

Não digo que não há por aí muito pessoal burro que nem uma porta mas não se pode generalizar isso para a totalidade do universo de estudantes universitários, com base em apenas meia dúzia de pessoas que aparecem num vídeo a dizer baboseiras. Infelizmente estamos a falar de Portugal, e na terra do Zé Tuga é isso que vende - e a Sábado sabe-o.

Mas imaginemos agora que a Sábado, em vez de ser um tablóide sensacionalista igual aos outros todos excepto no fazer-se vender a pessoal mais fino por um preço mais elevado, era uma revista decente e pensava “em vez de degradar ainda mais a imagem que os portugueses têm do próprio país e contribuir para arruinar mais um pouco da nossa auto-estima, vamos fazer algo que contribua de forma positiva,” e com isso em mente, em vez de escolherem só as respostas erradas, tinham escolhido só as respostas correctas. O resultado teria sido bastante diferente, não? Bom, duas coisas iam ser certamente diferentes: a Sábado não venderia tantas cópias da edição e, não sendo para dizer mal, o Zé Tuga não iria espalhá-la tanto pelas redes sociais…

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